A festa da música popular

Mário Mata tinha-nos prometido um concerto inesquecível e cumpriu. No Lisboa ao Vivo, perto do Oriente, o cantor, que está a celebrar 40 anos de carreira, lembrou clássicos intemporais e apresentou algumas canções novas, que se agarraram ao ouvido do público. Foi a festa da música popular portuguesa.

O concerto arrancou com o mítico Não Há Nada Para Ninguém, o que marcou definitivamente o ritmo do resto da noite. Durante essa canção, não houve quem não soubesse a letra e acompanhasse Mário Mata. Foi o começo indicado para uma noite em que se viajou pelo tempo e até pelo espaço, ao encontro de regiões do país que nos vêm à memória quando ouvimos cantigas de música popular portuguesa.

Mário Mata pediu ao público que o acompanhasse nas cantigas

E viajar pelo tempo foi possível através da lembrança de grandes êxitos do artista, como os temas Somos Portugueses, Faz-te à Vida ou Não Te Cures. Contudo, o músico não deixou de apresentar no palco algumas canções mais recentes, mais voltados para o pop-rock e para as baladas, que também envolveram o público.

O espetáculo, que foi gravado para sair, em dezembro, num CD e DVD, teve outros momentos altos, que incluíram a participação de amigos do cantor, todos eles músicos de grande reconhecimento e larga experiência. Foi o caso de José Cid, Fausto e Né Ladeiras, que subiram ao palco para interpretar alguns temas do cantor e do reportório de cada um. A amizade entre todos os artistas era genuína, e a felicidade que sentiam em partilhar o palco foi sentida por todos os presentes.

Foram quase duas horas de celebração da música portuguesa e da língua de Camões, com canções que, de forma bem humorada, são o reflexo da vida de qualquer ser humano. Mário Mata já prometeu que assim irá continuar, porque, contrariando o título da sua canção mais famosa, ainda há algo a mais para ouvirmos dele.

Fotos: Gonçalo Esteves Coelho / ARDINAS 24

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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