[Entrevista] Noiserv: 13 anos a ser música

David Santos é o verdadeiro homem-música. É audodidata, toca múltiplos instrumentos e domina a arte de compor e escrever canções. É o que faz para o projeto musical em que se apresenta como Noiserv, que agora celebra 13 anos de vida. É já mais de uma década a mostrar ao público a sua enorme versatilidade artística, dentro do universo que ele consegue criar.

Noiserv teve um início por acaso: em 2005, David gravou alguns rascunhos de canções, que mais tarde constaram numa edição lançada a público na internet. O feedback foi positivo, e assim começou uma jornada bem sucedida de alguns discos e muitos espetáculos, a que o público foi aderindo, tanto em Portugal como no estrangeiro.

O homem que domina a música como poucos comemora, este ano, 13 anos de vida deste projeto musical, e a festa tem sido feita com o público: já houve concertos no Tivoli, em Lisboa, no Passos Manuel, no Porto, e até mesmo fora de Portugal. Conversámos com David Santos, vestido com a pele de Noiserv, sobre o percurso e os próximos planos deste projeto.

 

ARDINAS 24: Deste pela passagem destes 13 anos como Noiserv?
David Santos: Há duas formas de responder a esta pergunta! A primeira é que, ao longo destes 13 anos, aconteceram tantas coisas que parece que foi “noutra vida” que tudo começou! A segunda forma, e na verdade oposta, é que sinto a mesma paixão por isto que sentia no início, e por esse motivo às vezes parece que foi ontem que comecei.

O número 13 tem alguma simbologia curiosa – há quem acredite que dê sorte, outros defendem que dê azar. Qual é a razão que está na base desta celebração dos 13 anos de projeto?
Acho que todos os anos devem ser festejados, nenhuma criança não faz festa de anos por fazer 13 anos! Na verdade, é importante comemorar a passagem de mais um ano em que consigo viver do que mais gosto de fazer! Houve anos em que fiz uma edição especial no aniversário, outros em que ofereci toda a minha discografia em formato digital, desta vez fez-me sentido um concerto.

Que balanço fazes do teu percurso profissional?
Em 2005 gravei três músicas num pequeno gravador; 13 anos depois, já tive a oportunidade de mostrar a minha música em tantos sítios, Portugal e estrangeiro, já vivo apenas da música que faço e abdiquei da Engenharia! Já colaborei com imensas pessoas em tantas áreas diferentes! É sempre complicado fazer balanços, até porque espero estar longe do fim, mas até agora tem sido tudo muito bom.

Fizeste um concerto muito especial no dia 5 de abril, no Tivoli, para assinalar estes 13 anos de carreira. Que memória guardas dessa noite?
Acho que correu tudo muito bem, o feedback que tive foi óptimo, deixou-me feliz, e dormi descansado nessa noite!

Recentemente também atuaste no Passos Manuel, um auditório muito mais pequeno e intimista. O tamanho do espaço onde atuas é revelante para ti?
O que é relevante são as pessoas que lá estão! Quando dás um concerto, o importante é que quem lá está esteja a gostar de te ouvir! Pouco vale tocares para milhares de pessoas se não estiverem a “olhar” para ti. Há uma diferença clara entre, por exemplo, um palco ao ar livre e uma sala fechada. Neste caso, embora salas diferentes, senti que tudo funcionou igualmente bem!

Pensas já no futuro do projeto, passado este período de celebração? Haverá alguma mudança substancial na forma como o Noiserv faz a sua música?
Já penso num novo disco! Quando faço as minhas músicas tento ser o mais fiel possível ao que sinto. Por esse motivo, sendo eu a mesma pessoa, a mudança nunca será drástica mas terá sempre de existir para que o desafio seja interessante.

Ser o único membro deste projeto (o único músico) torna o processo criativo mais fácil ou mais complicado?
Não te sei responder em concreto! Fazer música em grupo é muito diferente de a fazer sozinha, mas ambos os processos têm vantagens e desvantagens, nenhum se torna mais fácil ou difícil que o outro.

Já assumiste ser um autodidata em termos de educação musical. Como é que, sozinho, conseguiste dominar tantos instrumentos musicais?
Tudo se aprende, tudo se treina! Ser autodidacta apenas diz que ninguém te disse como fazer, não diz que não aprendeste a fazê-lo!

Enquanto Noiserv caracterizas-te como um músico que faz tudo em palco e no estúdio. Mas já pensaste alguma vez em partilhar uma canção com outro intérprete?
Tive a oportunidade de o fazer para o Festival da Canção do ano passado, foi giro! Para o futuro não sei, não sou muito “quadrado” nessas decisões; é o momento e a altura que vão ajudando a decidir!

Conseguirias dizer-nos qual foi, para ti, o ponto alto do projeto Noiserv?
Considero que tudo é importante, e, por esse motivo, momentos altos foram todos aqueles que, musicalmente falando, aconteceram desde o dia em que ao virar um pequeno pedaço de papel cheguei ao nome Noiserv.

E o que falta ainda o Noiserv fazer?
Na verdade, falta quase tudo, até ao momento em que ache que já não falta nada!

Fotos: Facebook Noiserv

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 351 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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