Israel venceu. E agora?

Netta Barzilai venceu o Festival Eurovisão da Canção, realizado pela primeira vez em Portugal. No entanto, e embora a sua canção fosse das mais populares, a vitória gerou polémica por causa do país que arrecadou o troféu: Israel.

Desde que Israel anunciou a sua canção para a Eurovisão que Toy se tornou o maior favorito à vitória no certame. A popularidade do tema foi finalmente comprovada ontem à noite, quando a canção venceu o televoto e ficou em terceiro nos votos do júri, o que não impediu que acabasse como a grande vencedora. Nos últimos dias, a canção cipriota tinha ameaçado a candidatura israelita, e campanhas a pedir o boicote ao tema de Israel também foram levadas a cabo, mas sem sucesso.

Portugal passou, assim, o título de vencedor da Eurovisão a Israel. A tradição dita que o país que ganha uma edição deve organizar a do ano seguinte, e é nesta matéria que começa (ou continua) a polémica. 

Na conferência de imprensa da vencedora, Netta estava feliz e emocionada, e declarou aos jornalistas que Jerusalém estaria pronta a receber o certame no próximo ano. Mais tarde, numa mensagem de reação à vitória no seu Twitter, Benjamin Netanyahu afirmou: “no próximo ano em Jerusalém”. 

Contudo, a direção da União Europeia de Radiofusão, que coordena a organização da competição, mostra algumas reservas quanto ao facto de ser em Jerusalém, e prometeu deslocar-se nos próximos dias a Israel para avaliar as diferentes possibilidades. 

Em Lisboa, no complexo que acolheu a Eurovisão nos últimos 15 dias, circularam rumores de que, caso Israel vencesse o concurso, a próxima edição voltaria a acontecer em Lisboa, por questões de segurança. O dispositivo montado pelas forças de segurança e pela polícia portuguesas foi muito elogiado pelas delegações que se deslocaram a Lisboa para a 63ª edição da Eurovisão.

Entre as reservas de o evento ser realizado em Jerusalém, a proclamada capital do Estado de Israel, mas não reconhecida por muitos países, ou mesmo em Telavive, onde não deixaria de ser necessário uma grande força de segurança, podem surgir outras opções menos polémicas e mais seguras. 

Israel, enquanto país, fundou-se há precisamente 70 anos numa região habitada, até então, por palestinianos. O conflito entre os dois povos prossegue, com dezenas de mortes a acontecerem todas as semanas em confrontos na fronteira entre o território de Israel e o da Palestina e Faixa de Gaza. 

Foto: Gonçalo Esteves Coelho / ARDINAS 24

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 358 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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