Israel: pede-se boicote na Eurovisão devido à Palestina

Netta Barzilai chegou, viu e, aparentemente, ia vencer. A representante de Israel no Festival Eurovisão da Canção de Lisboa levou milhares de fãs à loucura com a sua proposta para o concurso, Toy, ao ponto de ter sido, desde março até começo do mês de maio, a grande favorita à vitória. Mas a política externa de Israel não tem sido esquecida por muitos, que apelam ao boicote da canção do país.

A letra da canção bem diz que “I’ll take you down now / I’ll make you watch me”. Estes dois versos do tema israelita pareciam representar a tendência que em março começou a ser visível: Israel reunia grande favoritismo e ia, quase de certeza, ser o país vencedor do Festival da Eurovisão. E esta grande preferência dos apostadores e dos fãs do concurso, associada à irreverência da canção e do visual da própria intérprete, fez com que Israel se tornasse o centro das atenções.

O começo dos ensaios e a realização das semifinais fez com que outras canções se assumissem como candidatas ao título (como a proposta de Chipre, Fuego, da França, Mercy, da Lituânia, When We’re Old, ou da Alemanha, You Let Me Walk Alone)No entanto, Israel continua a ser apontado por muitos como possível vencedor, o que tem indignado algumas pessoas e, em especial, o movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).

No Terreiro do Paço, onde funciona a Eurovision Village,têm circulado panfletos a apelar ao boicote na canção israelita – ou seja, a pedir aos portugueses para não votarem, este sábado, em Netta Barzilai. O papel entregue aos transeuntes explica que o objetivo do protesto é “acabar com a ocupação e o apartheid israelita na Palestina”, o que implica dar “zero pontos à música de Israel na televotação”.

O movimento BDS funciona à escala global com o objetivo de proclamar o boicote a Israel nas suas múltiplas formas – económica, cultural, política, entre outras. Estes ativistas exigem a desocupação dos territórios outrora pertencentes à Palestina, bem como a libertação de presos palestinos.

A canção Toy foi escrita para ser um hino à Mulher e está inserido no crescente movimento feminista à escala global. No tema, a cantora afirma que não é um brinquedo nas mãos de um homem e que o seu destinatário do sexo masculino é um “stupid boy”. Na Altice Arena, na primeira semifinal, foi um dos momentos que mais entusiasmo provocou na audiência, e no final dessa gala foi contemplada com o apuramento para a final. Amanhã, na última gala, atua em 22.º lugar, esperando ser a quarta vencedora israelita da Eurovisão.

Foto: Andres Putting / EBU

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Sobre Gonçalo Esteves Coelho 358 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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