(Mais um) Mistério em Hogwarts

Assim como eu, muitos 90s Kids (aqueles que nasceram e/ou cresceram na década de 90) são fãs da saga Harry Potter e do Mundo criado pela escritora J.K. Rowling. Há quem apenas tenha visto os filmes, quem também tenha lido os livros e quem até tenha visitado estúdios e parques temáticos; por outro lado – e porque esta é uma rubrica de Gaming – é preciso mencionar ainda quem também explorou o mundo de Harry Potter com a consola ligada e de comando na mão.

 Se a história de Harry Potter me acompanhou desde o primeiro capítulo, faz sentido para mim que continue a ser algo atual. Lembro-me de ver o primeiro filme, Harry Potter e a Pedra Filosofal, no meu primeiro ano na escola e o último filme, Harry Potter e os Talismãs da Morte – Parte II, no ano antes de entrar na faculdade; foi uma caminhada lado a lado que marcou a minha infância e que ainda hoje faz parte do meu imaginário, enriquecendo a criatividade de que preciso para trabalhar todos os dias.

Tendo isto em conta, faz todo o sentido que o mundo de Harry Potter continue presente e constantemente renovado. E foi o que aconteceu de novo, quando na semana passada chegou até nós o novo Harry Potter: Hogwarts Mystery (que referi brevemente no artigo anterior), uma app para Android e iOS que nos leva por uma mágica viagem até Hogwarts e nos dá oportunidade de explorar o castelo e tudo o que o rodeia e de conhecer personagens novas ou reencontrar outras que já não nos são estranhas.

 

 

“Olha! Sou eu!”

Harry Potter: Hogwarts Mystery não é, contrariamente a outros jogos criados anteriormente, um título que tenha por base as aventuras de Harry, Ron e Hermione baseadas no enredo da história original. Neste novo jogo, o protagonista não é nenhuma das personagens anteriores, uma vez que nós próprios somos os protagonistas de Harry Potter: Hogwarts Mystery.

No início do jogo, ainda antes de entrarmos em Hogwarts, somos convidados a criar a nossa personagem, definindo traços físicos como o cabelo e o rosto, elementos que podem mais tarde ser alterados. Aqui escolhemos também o nosso nome, mas não entramos em características psicológicas e sociais, visto que estas vão sendo desenvolvidas ao longo do jogo e com base nas opções de história que tomamos e nas recompensas que escolhemos receber.

 

A Chegada a Hogwarts

Claro que, antes de embarcarmos no Expresso de Hogwarts, temos de passar pela Diagon-Al para comprar, entre outras coisas, a nossa varinha, sem a qual pouco ou nada podemos fazer em Hogwarts. É na loja Ollivanders que começamos por revelar o nosso caminho enquanto alunos e feiticeiros, e é aqui que as nossas escolhas começam a ter impacto, uma vez que a varinha que vamos levar para Hogwarts depende da interação com o próprio Ollivander. Algumas voltinhas depois, estamos no Expresso de Hogwarts, a caminho da Escola.

Já em Hogwarts, a seleção para as equipas não é feita com base em nenhum teste, ao contrário do que seria de esperar; apenas escolhemos a equipa a que queremos pertencer – embora, na teoria, a nossa escolha pese bastante na decisão do Chapéu Selecionador, não posso deixar de achar que esta é uma das falhas de Harry Potter: Hogwarts Mystery que mais empobrecem o jogo.

Depois de selecionados e de conhecermos os primeiros colegas de equipa e de ano, está na hora de começar a viver as aventuras, os mistérios, os dilemas e as missões que Hogwarts tem à nossa espera.

 

Poções, feitiços e vassouras voadoras

Apesar de Harry Potter: Hogwarts Mystery parecer um pouco básico ao início e limitado em termos de história e diversidade de missões – e não estou a dizer que o é ou que não o é, porque trata-se de uma perspetiva que depende de jogador para jogador – depressa percebemos que há muito para lá do que estamos a ver no momento.

A verdade é que entramos em Hogwarts, como é óbvio, como alunos do primeiro ano, mas a história parece estender-se por mais tempo, tendo em conta que algumas zonas do castelo, como o Gabinete de Dumbledore, a Torre das Corujas ou o Salgueiro Zurzidor, entre outras, apenas estão disponíveis do segundo ano para a frente. Esta é uma prova de que, para lá dos 10 capítulos iniciais que compõem o primeiro ano de Hogwarts Mystery, há mais história, mais enredo e mais evolução de personagens com o passar do tempo.

Para além da narrativa base, existem, claro, missões extra, como aulas e treinos, que compõem e dão solidez ao jogo, mas que requerem energia, um dos pontos fracos apontados pelos jogadores, uma vez que esta condiciona a cadência de jogo e leva a que seja necessário aguardar minutos ou horas para que recarregue e possamos completar as missões.

 

 

A nível geral, Harry Potter: Hogwarts Mystery é um jogo com propósito e bastante bem construído em termos gráficos e de narrativa, no qual podemos desenvolver uma personagem, trilhar o nosso caminho e construir a nossa própria história. Peca apenas por ser básico demais em termos de interface – cliques e formas – e por ter um tempo de espera entre ações que podia ser dispensado ou substituído.

Recomendo aos verdadeiros fãs da saga… (especialmente aos que têm alguma paciência!)

Sobre Diogo Ventura 101 artigos
Cedo percebi que o meu caminho passaria pela criatividade e pela imaginação. Comecei com desenhos e rabiscos, passei a pequenas histórias e mais tarde cheguei à publicidade e às peças de humor. Foi também desde cedo que dei por mim a mergulhar no mundo dos videojogos, quase antes de começar a andar - até porque, quando jogava, jogava sentado. Anos mais tarde, licenciei-me em Publicidade e Marketing e trabalho há algum tempo na área do Marketing e da Criatividade Digital. No Ardinas 24, já escrevi e opinei, e sou agora autor da rubrica semanal Bonus Stage, um pequeno espaço sobre videojogos e o mundo do Gaming.

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