Reveladas quatro mil galáxias jovens no mapa tridimensional do Universo na sua infância

Zoom ao campo da pesquisa COSMOS, um mapa detalhado de uma parte do céu com cerca de 10 vezes o tamanho da lua cheia. A imagem final desta sequência, na banda do infravermelho foi obtida pelo telescópio VISTA (ESO).

Uma equipa internacional, que conta com a participação do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA), apresentou a 4 de abril um dos maiores mapas tridimensionais do Universo na sua infância, onde foram descobertas cerca de quatro mil jovens galáxias.

A equipa internacional conta com a investigadora Ana Afonso do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) e é liderada pelo colaborador do IA David Sobral (Universidade de Lancaster). Neste trabalho, publicado online em dois artigos e apresentado na Semana Europeia de Astronomia e Ciências Espaciais (EWASS), a equipa observou diferentes comprimentos de onda para calcular o desvio para o vermelho destas galáxias e, assim, obter resultados para 16 períodos diferentes da história do Universo, entre 11 e 13 mil milhões de anos atrás, ou entre 7% e 13% da idade atual.

O desvio para o vermelho é uma propriedade das ondas eletromagnéticas, semelhante à alteração do som que se ouve quando um som intermitente se afasta de nós. Este efeito ocorre nas ondas (de luz ou sonoras) quando a velocidade de afastamento do objeto faz aumentar o comprimento da onda, por isso pode ser usado como uma medida de distância (maior o desvio para o vermelho, mais distante no tempo e espaço estará).

“A maioria das galáxias distantes que descobrimos só têm cerca de três mil anos-luz de diâmetro, enquanto a Via Láctea é 20 vezes maior. O facto de serem tão compactas provavelmente explica algumas das propriedades físicas que eram comuns quando o Universo era jovem”, comenta a investigadora Ana Afonso. Esta população de galáxias será objeto de estudo detalhado com o MOONS, um novo multiobjecto ótico em construção para o Very Large Telescope (VLT), do qual o IA é uma das instituições coordenadoras.

Mapa tridimensional do “cubo” do Universo observado nesta pesquisa, que ilustra a distância a que se encontram as 4 mil galáxias, em milhares de milhões de anos-luz. As cores representam o desvio para o vermelho, estando as mais azuis mais próximas e as mais vermelhas mais distantes.

A investigadora acrescenta ainda que: “algumas destas galáxias devem ter evoluído até se tornarem parecidas com a nossa própria galáxia, e por isso estamos deste modo a ver como era a nossa galáxia entre 11 ou 13 mil milhões de anos atrás”.

Para o líder da equipa, David Sobral, “estas galáxias parecem ter sofrido uma série de surtos de formação estelar, em vez de as terem formado a um ritmo constante, como acontece na nossa galáxia. Além disso, estas galáxias parecem ser povoadas por estrelas mais jovens, azuladas e pobres em metais do que as que vemos hoje.”

A equipa procurou galáxias distantes no campo COSMOS, uma das regiões do céu mais estudadas, através da deteção de radiação Lyman-alfa, produzida quando eletrões no átomo de hidrogénio decaem do segundo nível para o primeiro nível de energia. Os dados estão agora disponíveis livremente, para que possam eventualmente ser usados noutros estudos.

Zoom ao campo da pesquisa COSMOS, um mapa detalhado de uma parte do céu com cerca de 10 vezes o tamanho da lua cheia. A imagem final desta sequência, na banda do infravermelho foi obtida pelo telescópio VISTA (ESO).

Fotos, video e informação via Grupo de Comunicação de Ciência do IA

Sobre Ana Margarida Pereira 57 artigos
Mulher das Ciências de diploma e aprendiz de Comunicadora de Ciência aventuro-me pelo mundo do Jornalismo - aqui no Ardinas escrevo na secção de Ciência. Os meus traços mais peculiares, fora a personalidade, para a maioria das pessoas, é viver na Amadora, ser alérgica à canela e apesar de não ter piada nenhuma querer ser comediante.

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