“Amor de Improviso” – Uma comédia romântica para quem está farto de comédias românticas

Todos os anos podemos encontrar nas salas de cinema um novo filme de comédia com nuances românticas. Estes filmes são, geralmente, uma nova adaptação de um livro do Nicholas Sparks ou um filme onde durante 90 minutos duas pessoas extremamente atraentes sofrem por amor com direito a algum humor à mistura. Ainda assim, nada contra as comédias românticas – nem sempre nos apetece ver um drama carregado de sentimentos negativos que nos deixam tão deprimidos que só nos apetece comer chocolate e adormecer a chorar, por isso, este género de filmes são uma boa alternativa.

Em “Amor de Improviso”, encontramos uma história de amor que escapa ao clichê a que estamos habituados. O guião foi escrito tendo como base a vida real do ator Kumail Nanjiani – que dá vida e nome à personagem principal.

Kumail é um jovem de origem paquistanesa que faz comédia stand-up. Numa noite, depois da sua atuação, entra em conversa com Emily, a típica rapariga americana, e os dois acabam por começar uma relação amorosa. Kumail e Emily não são o típico casal que corre por campos de flores e tem jantares à luz das velas – a sua relação é baseada em sarcasmo e piadas ligeiramente ofensivas.

Como em todas as relações, há algo que corre mal. Kumail decide esconder o facto de a sua família esperar que ele tenha um modo de vida tradicionalmente paquistanês, o que envolve ter o próprio casamento planeado pelos pais, incluindo a parte da escolha da noiva. Kumail tem vindo a conhecer várias raparigas paquistanesas nos jantares de família, tudo orquestrado pela sua mãe. Quando Emily descobre, acusa-o de mentir e decide acabar a relação.

Os dois seguem caminhos diferentes, até que Kumail recebe uma chamada de uma amiga da sua ex-namorada. Emily deu entrada no hospital com um problema de saúde que revela ser de difícil resolução. O jovem comediante decide acompanhá-la ao longo de todo o processo e, durante esse tempo, acaba por criar uma relação bastante próxima com os pais de Emily.

Durante a estadia de Emily no hospital, Kumail tenta balançar a sua carreira como comediante e os problemas com a sua própria família – algo que se revela ser uma tarefa bastante difícil.

Apesar de todos esperarmos um final feliz nesta história, o filme parece mostrar que vai seguir o caminho oposto, o que nos deixa surpresos e um pouco apreensivos. Este facto cola-nos ao ecrã e deixa-nos na expectativa até ao final do filme.

“Amor de Improviso” é, sem dúvida, algo diferente na categoria em que se insere. As piadas são subtis, mas engraçadas. A dinâmica entre as personagens é excelente e o enredo tem um desenlace que surpreende e satisfaz. Aliado a isso, a narrativa mostra-nos um conjunto de personagens que aprendem com os erros e que se tornam melhores por isso, o que desperta no espectador um sentimento de identificação. Afinal de contas, todos nós já aprendemos algo com as nossas peripécias amorosas e familiares.

A fórmula utilizada para criar este filme resultou na perfeição, porque permitiu combater os dois grandes problemas dos filmes de comédia modernos: a previsibilidade e a repetição.

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