‘’Parecia que tínhamos mudado de planeta em 24 horas!’’

Olá a todos, mais uma vez! Hoje, como prometido, partilhamos convosco as nossas últimas aventuras pela Índia e o nosso percurso até ao adeus a esta icónica nação. Depois de um mês muito intenso, cheio de histórias e novas experiências pelo Rajastão, estado que se afirma ter mais história do que a combinação dos restantes, era altura de mudar, e nós, já só ansiávamos por Goa. Não só pela curiosidade de observar a influência portuguesa numa ex-colónia, como também, claro, pelo clima tropical e contacto com o oceano, ao qual damos imenso valor, principalmente quando passamos uma temporada sem ele.

Matilde e Miguel na praia de Arambol, Índia.

Decisão tomada, mudaremos de estado, mas na Índia não é assim tão simples, nada é! Em Portugal saímos de Lisboa de manhã, podemos almoçar no Porto e com jeito jantar no Algarve. Na Índia, do Rajastão a Goa são mais de 1500Km de estrada… Estrada indiana! Que entre o trânsito infernal, estradas esburacadas e vacas a bloquear a passagem, equivalem a cerca de 30 horas de viagem. Claramente precisámos de uma paragem a meio. Devido às facilidades de transporte acabámos por escolher Mumbai, a maior e mais importante cidade da índia, onde vivem cerca mais de 21 milhões de pessoas (o dobro da população de portugal).

Até ao momento, o nosso meio de transporte tinha sido o autocarro pois para se conseguir lugar livre nos comboios os bilhetes têm de ser comprados com algum tempo de antecedência, apesar da India ter a maior rede ferrovária do mundo, dos comboios serem gigantes e  de terem cerca de 10 classes diferentes. Para nossa surpresa,  uma amiga italiana que conhecemos pelo caminho  informou-nos que existe uma classe especial, Tatkal, para a qual os bilhetes apenas são vendidos no dia anterior, às 11:30 no site oficial. (Se quiseres mais dicas de como viajar pela Índia, lê este nosso artigo).

Mesmo sabendo que, por norma, as viagens de comboio são maiores do que as de autocarro decidimos tentar, pois viagens em autocarro são bastante agitadas por causa do trânsito e da qualidade das estradas.

Matilde e Miguel no último destino no Rajastão, Udaipur.

Lá estavamos nós, no dia anterior ao que desejariamos sair, no suposto site para conseguirmos o bilhete, tentámos, e conseguimos! Achávamos nós. Inexperientes no assunto, recebemos um email com recibo e uma mensagem telefónica a confirmar, assumimos imediatamente que conseguiriamos o nosso lugar. Mas não. Viriamos a descobrir com a ajuda de um local, duas horas antes da viagem, que o nosso bilhete estava em WL, que significava Waiting List. Má surpresa e momentos de tensão!

Tínhamos tudo preparado, malas às costas e em direção à estação. Teria de haver uma maneira. O local disse que em raros casos, os cobradores podem identificar uma ausência e atribuir-nos a mesma. A esperança renasceu!

Decidimos tentar, estávamos determinados a chegar a Mumbai no dia seguinte! Chegámos à estação 1 hora antes da partida, tentamos de tudo, abordamos dezenas de pessoas diferentes em balcões diferentes, mas a esperança estava toda depositada nos controladores de bilhetes que apenas chegariam ao comboio 10 minutos antes. Momentos de alta tensão, malas às costas e muita correria com um bilhete inválido nas mãos. Perguntámos a vários controladores e todos eles diziam que estava cheio e encaminhavam-nos para outra pessoa diferente, para não terem de lidar com as nossas implorações. Nós vimos dezenas de lugares vazios, o tempo apertava mas não desistimos. Decidimos pressionar um pouco o controlador que mais pareceu disponível a ajudar, que estava 2 carruagens atrás.  Mas entretanto o comboio arranca, lentamente. Os comboios são abismais e demoram muito a arrancar. De repente vimos por uma janela o tal controlador, a nossa última esperança, e a andar à mesma velocidade que o comboio implorámos sem fim a apontar para lugares vazios. E, nos últimos segundos possíveis ele lá nos deu a luz verde e  chamou-nos para dentro do comboio. Ótimo! Nem conseguíamos acreditar. Que lição de como a persistência nos leva aos resultados que pretendemos! Mas se puderem evitar entrar num comboio em andamento com malas às costas, melhor!

Uma pequena multa por ter um bilhete inválido em viagem, condição que aceitámos de bom grado, e 17 horas de viagem depois, chegaríamos a Mumbai. As alterações climáticas já se faziam sentir. A ideia era dormir 1 ou 2 noites no máximo e prosseguir pois ansiávamos Goa! Optámos por tentar Couchsurfing para podermos poupar algum dinheiro e também conseguir ter conselhos locais para poder aproveitar o máximo da cidade com o tempo limitado que tínhamos.

Surpresa a nossa quando fomos aceites por um ex-capitão da Marinha, que vivia na zona mais luxuosa de Mumbai, onde ficámos num apartamento de luxo no 23.º andar de uma torre! Estávamos pasmados – depois de um mês intenso de contacto com realidades de Terceiro Mundo, de repente, somos aceites num apartamento de luxo. Parecia que tínhamos mudado de planeta em 24 horas. Como pode ser possível duas realidades tão diferentes a dois estados de distância. Na verdade, soube-nos imensamente bem. Precisávamos de uns dias de descanso, e um sofá em ‘L’ com um plasma gigante e Netflix grátis encaixavam perfeitamente! Lógico, acabámos por ficar uma semana em Mumbai, não só pelo extremo conforto que tínhamos mas também porque o Miguel adoeceu, e esperámos pela recuperação. Passada então a semana, era tempo de seguir. Goa esperava-nos.

“Realmente incrível e inexplicável o quanto um país como a Índia pode mudar de estado para estado.”

finalmente estávamos a ver o oceano de novo, em Goa!

Goa foi realmente um estado interessante, onde, mais uma vez, tudo mudou. O clima era tropical, muito quente, muito húmido. As cores da natureza muito diferentes, muita vegetação por todo o lado, centenas de palmeiras e uma brisa do oceano. Que alívio! Optámos por ficar entre duas vilas que nos haviam aconselhado, pelas praias, atmosfera e espírito festivo, Anjuna e Arambol. Vilas muito tranquilas, muito hipsters, e um contacto apaixonante com a natureza e, tirando alguns episódios de fotografias indesejadas na praia, adorámos! Mas foi quando visitámos a capital de Goa, Pangim, que fomos mais surpreendidos. Afinal é apenas na capital que se sente a influência portuguesa, pois não teríamos sentido nada até então. Adorámos o facto de que os naturais de Goa têm um orgulho enorme na nação portuguesa, e também o facto de não terem adotado completamente a cultura portuguesa, mas sim tenham misturado o melhor de ambas. Finalmente, havia regras e sinais de trânsito e, ainda mais surpreendente, as pessoas respeitavam-nas. Havia uma limpeza extrema nas ruas, caixotes de lixo (que até então eram escassos) e sinais a incentivar a limpeza da cidade. Parecia uma cidade europeia no meio da Índia. Tivemos a oportunidade de contactar com alguns goeses de antigas gerações e, em português, aprender sobre a história do nosso país enquanto comíamos uma feijoada com especiarias indianas (óptima, mas picante [risos]). Momentos inesquecíveis, que levaremos para sempre connosco!

Miguel e Matilde em Pangim.

Passadas duas semanas de um lado para o outro em Goa, decidimos prosseguir. O tempo até ao nosso voo escasseava, e tínhamos muitos quilómetros por percorrer ainda. Desta vez decidimos visitar uma pequena vila de que toda a gente falava e nos recomendava a ir o quanto antes pois era uma vila lindíssima mas ainda pouco conquistada pelo turismo: Hampi! Estivemos boquiabertos desde o primeiro dia até ao ultimo, como seria possível uma vila tão pequena estar rodeada de tanta beleza, tanta história, tanto mistério. Era uma vila super pacata dividida por um rio. De um lado, viviam os locais, templos impressionantes e monstruosas esculturas em pedra. O turismo era quase inexistente pois teria sido erradicado pelo governo visto se tratar de património mundial da UNESCO.  Do outro lado, existia duas estreitas ruas que cruzavam dezenas de campos de arroz onde se concentrava todo o turismo que aparenta ser jovem.

Miguel nos campos de arroz em Hampi.

Para poderem apreciar connosco a beleza deste sítio, hoje partilhamos mais umas quantas fotografias que o costume. Esperemos que gostem, e vemo-nos para a semana na Tailândia!

PS: Esquecemo-nos de partilhar a semana passada, mas, para quem não chegou a ver o nosso instagram,nós estamos atualmente em Bali, na Indonésia, e a adorar! Portanto, mantenham-se connosco nesta aventura interminável para chegarmos ao presente das nossas peripécias!

Com amor,

Matilde e Miguel.

Sobre TravelB4Settle 10 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

2 Comentários

  1. Adorei reviver esta aventura! Boa meninos, continuem assim que nós cá estamos para ler as vossa histórias todas as semanas! LY Bjinhos

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