“Eu, Tonya” – conhece Tonya Harding?

Margot Robbie interpreta Tonya Harding, uma patinadora americana que teve uma carreira um tanto ao quanto conturbada. Em “Eu, Tonya”, um drama biográfico com alguns toques de comédia, podemos acompanhar a vida de Tonya desde a primeira vez que pisou um ringue de patinagem.

Os filmes de caráter biográfico têm sempre uma dimensão algo pesada, já que os realizadores tentam ao máximo fazer jus às vivências da personagem principal – e esse facto pode levar a que se crie um filme monótono ou extremamente dramático. Não é, de todo, o caso.

“Eu, Tonya” é tudo menos entediante. O filme utiliza uma narrativa dinâmica, que intercala a história de vida da patinadora (passado) com entrevistas às personagens principais (presente). Ao longo das mais de duas horas de filme, vamos conhecendo Tonya Harding e percebendo o seu percurso, as suas motivações e também alguns momentos cruciais da sua carreira – como o incidente com Nancy Kerrigan.

Margot Robbie interpreta Tonya e fá-lo de forma surpreendente – ainda que as cenas de patinagem no gelo não tenham sido interpretadas na totalidade pela atriz, Margot Robbie consegue ter uma prestação incrível, que lhe garantiu uma nomeação para o óscar de Melhor Atriz.

“Eu, Tonya” é um filme biográfico que, além de não aborrecer, consegue até entusiasmar o espectador – é inevitável torcer por Tonya quando tenta concretizar o seu salto triplo “axel”, a sua imagem de marca.

O elenco é sem dúvida o ponto forte do filme que, além da excelente Margot Robbie, conta também com Sebastian Stan no papel de marido de Tonya e Allison Janney, que interpreta a mãe de Tonya. Alison Janney ganhou, aliás, o óscar de Melhor Atriz Secundária pela sua prestação.

“Eu, Tonya” diferencia-se da maioria dos filmes dentro do género e consegue surpreender mesmo os mais desinteressados por dramas biográficos. Apesar de não ter sido dos mais premiados nesta época de prémios, é um dos filmes com mais qualidade e merece sem dúvida ser visto por qualquer apreciador de cinema.

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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