Amizade, estrelas e camelos!

O Miguel no camelo.

Um mês! Hoje faz um mês que escrevemos para o ARDINAS 24 e não podíamos estar mais felizes com esta colaboração! Temo-nos divertido imenso a recordar e escrever as nossas aventuras passadas! Mas ainda nos faltam muitas… para vos contar e por acontecer!

Esta semana, como prometemos, ainda será sobre as nossas aventuras pela Índia, mas desta vez não é assustadora nem perigosa. Esta é sobre amizade, estrelas e camelos! Sim, leram bem: camelos! Já consegue adivinhar o que aí vem? Mais vale continuar a ler…

Ainda no estado de Rajastão, vamos falar de duas das cidades que nos fizeram apaixonar por esta zona da Índia! Uma delas foi uma pequena cidade, onde éramos para ficar dois dias e acabamos por ficar dez – Pushkar. Uma cidade onde, literalmente, se veem mais vacas na rua do que pessoas e onde vimos um dos melhores pôr-de-sol na Índia. Esta cidade foi especialmente especial porque foi onde fizemos uma grande amizade desta viagem.

Lembram-se do Lewis, o rapaz que estava connosco naquela aventura do Whisky? Ele chegou a Pushkar antes de nós e fartou-se de tentar convencer-nos a ir para o hostel onde ele estava, mas nós, como estamos a viajar a um baixo custo, preferimos ficar num quarto de quatro euros numa outra guest house do que na cama a cinco euros (10 euros os dois) no hostel dele. Obviamente, o hostel dele era muito mais divertido, com um parque enorme e imensas facilidades. Por isso, como típicos tugas, tendo lá um amigo, passámos nele muito tempo! (Risos) E foi também neste hostel que conhecemos a Raeesa (Ra) e a Leonor (Li). Pelo nome pode não parecer, mas ambas são portuguesas!

Eram os primeiros portugueses que conhecíamos na Índia! Foi a festa total! Nessa noite bebemos um copo, e no dia a seguir já estávamos a almoçar todos juntos. Passado um dia, estávamos a despedir-nos delas, que estavam de partida para o que seria também o nosso próximo destino… Jaisalmer!

Passados uns dias, também lá estávamos nós (a cidade de Rajastão que roubou o nosso coração!)! Para quem não sabe, Jaisalmer ainda pertence ao Estado de Rajastão mas está muito perto da fronteira com Paquistão, portanto, localiza-se no deserto. Nós estávamos tão entusiasmados com a ideia de chegar ao deserto, e, como não podia faltar, tínhamos de fazer um safari no deserto (percebem agora os camelos?). E era para isso que a Ra e a Li estavam à nossa espera.

Chegámos ao hostel onde elas estavam, de madrugada. Antes de irmos a correr para um sofá dormir, conseguimos ver a vista do rooftop deste hostel, e ficámos deliciados. Até tentámos dormir nos sofás do rooftop só para adormecer com a vista, mas, assim que nos deitámos, lembrámo-nos de que agora estávamos no deserto e as temperaturas eram muito diferentes. Muito calor durante o dia, mas também muito frio durante a noite!

Passadas umas horas já estávamos a preparar uma mala só de roupa quente. O grupo que tinha ido a este safari na noite anterior tinha chegado e avisou-nos de que precisávamos mesmo de levar roupa quente para a noite. Sim, íamos lá passar a noite… Onde? Não sabíamos! Mas finalmente íamos usar as roupas de Inverno que trouxemos de propósito para irmos ao Nepal (e onde acabámos por não ir).

Fomos nós os quatro, com o guia (o dono do hostel, uma pessoa cuja história, que contamos a seguir, nos fascinou!) e mais dois rapazes da nossa idade, um indiano (com quem acabámos por criar também uma forte relação) e um alemão.

A aventura pelo deserto começa então com um jipe (claro) e seis cidadãos do mundo! Primeira paragem, e temos o prazer de saber a história do dono do hostel, o Paolo, cujo sonho de vida sempre foi ter o seu próprio hotel. O que é impressionante é como ele o conseguiu, pois há 20 anos o Paolo era um condutor de TukTuk que mal tinha dinheiro para se alimentar. Num dos seus trabalhos, deu boleia a um casal francês ali na cidade de Jaisalmer, que, de acordo com todo o material fotográfico que possuíam, seria profissional de fotografia.

A Matilde e a Rá.

Nesta viajem, o casal esqueceu-se de uma destas câmeras no TukTuk do Paolo. Parecia cara e valiosa, pensou o Paolo! Tinha de lhes entregar esta câmera! Mas eles já estariam noutra cidade (pois o Paolo tinha acabado de os deixar no autocarro) e era muito longe. O motorista tinha exatamente e apenas o dinheiro do autocarro de ida. Se fosse, já não tinha dinheiro para comer… Mas foi! Foi e, depois de largas horas a procurar pelo casal, encontrou-os e entregou-lhes a câmara. Este casal não poderia ter ficado mais agradecido! Pagaram-lhe a noite no hotel onde estavam e ainda lhe compraram roupa nova (visto que a que tinha no corpo estava já toda rasgada). Para além disto, prometeram voltar passados dois anos para o ver! E assim foi: passados dois anos, este casal regressou e ofereceu dinheiro suficiente para que o Paolo pudesse abrir a sua pequena guest house, que, depois de ficar famosa por esta história, permitiu ao Paolo comprar o Hotel que eventualmente se tornou o hostel onde nós estávamos de momento! Que história, certo?!

Continuámos viagem… até aos camelos! Antes desta tour estávamos muito indecisos se havíamos de fazê-la por causa desta parte de andar em cima dos camelos… Nós adoramos animais e não queríamos fazer nada que os magoasse ou fosse contra a natureza dos mesmos. Informámo-nos… Pode ser discutível, mas a verdade é que, desde há milhares de anos, este animal é usado como transporte de pessoas pelo deserto, e a nível morfológico já está preparado para o peso humano. Só faltava ter a certeza de que a tour que escolhemos tratava bem estes animais. E não foi preciso muito tempo para ter a certeza de que sim.

Ai, foi tão giro! A Matilde já se arrepia só de pensar nisto, e o Miguel ri-se! Foram momentos lindos mas muito cómicos também, desde o momento em que o senhor que geria os camelos colocou aquele que levava a Matilde a comandar, com a Matilde a comandá-lo sozinha! Foi mesmo muito engraçado! A Matilde estava cheia de medo, da altura a que estava e da responsabilidade que tinha, e, como desta vez éramos mais do que dois a falar português, foi uma risada! Por mais incrível que pareça, a Matilde safou-se mesmo bem!

A Matilde a comandar a viagem.

Chegámos ao nosso destino. No meio de dunas, estava o Paolo numa casa de pedra com uma mesa preparada com petiscos. Nós fomos os únicos que ainda ficaram a ver os camelos a rebolarem na areia depois desta caminhada e a prepararem-se para uma noite de sono. Foi um momento também inesquecível! Depois, vimos todos a correr pelas dunas… Era hora de ir ver o pôr-de-sol! E que lindo! Outro momento impossível de esquecer e com tão boa companhia!

Os camelos deitados a ver o pôr-do-sol.

Já famintos, voltámos para a casa e já tínhamos um Thali (comida típica desta região) à nossa espera! Um momento de muita conversa, onde ficámos a saber que um dos nossos colegas, o Ujjawal, também adorava viajar e partilhar as suas experiências (Para quem quiser conhecer mais um pouco das suas experiências pelo mundo pode aceder à sua página aqui: https://www.facebook.com/wandererontheroad/). A partir dele, sendo ele indiano, ficámos a conhecer ainda mais sobre este país que tem o dobro da população de toda a Europa e quase o mesmo número de línguas oficiais que a Europa!

O que há de melhor do que um grupo que partilha o mesmo interesse (viajar) reunir-se à volta de uma fogueira debaixo das estrelas nas dunas de um deserto, a partilhar histórias? Nós não conseguimos pensar em mais nada! E isto foi como ficámos por horas a fio, até a Ra e a Li acabarem por adormecer. Esta experiência tinha de ser vivida ao máximo, portanto agasalhámo-nos e puxámos as camas para as dunas, onde adormecemos, literalmente, a olhar para as estrelas! Sim, acertaram! Mais uma memória que ninguém nos apaga!

Acordamos e, claro, tínhamos de começar o dia com Tchai (chá típico da Índia – que a Li e a Rá nos puseram a amar!). Depois de um belo pequeno-almoço era hora de voltar, mas esta experiência tinha de acabar tão bem como começou! E lá estávamos nós a voltar, de camelo!

Desta vez, não era a Matilde a líder mas aproveitámos para pôr em dia todas as canções de que nos lembrávamos, portanto a líder era a mestra Li.

O Miguel no camelo.

Tempo do jipe, tempo de voltar para a cidade! Assim, passámos um dia maravilhoso que nos deixou memórias incríveis mas, ainda mais importante, boas amizades! E só porque gostámos mesmo muito destas duas malucas (Ra e Li) continuámos a viajar juntos até elas voltarem para Portugal. Agora ficam muitas mensagens trocadas e promessas, não de um café em Lisboa, mas de um Tchai! Elas levaram ingredientes para Tchai em Portugal (o vício foi grande).

As duas companheiras de viagem, Ra e Li.

Para nós é mesmo isto que importa… momentos e amizades! Estamos em viajem há quatro meses e temos conhecido pessoas maravilhosas das quais nunca nos vamos esquecer e tencionamos rever em breve. Esta semana queremos agradecer a todas estas pessoas que têm tornado esta nossa aventura ainda melhor e mais interessante!

Para a semana, acabamos a partilha das nossas aventuras na Índia para podermos proceder para todas as aventuras que tivemos na Tailândia. Será sobre o sítio mais lindo (na nossa opinião) que visitámos na Índia, já fora do estado de Rajastão. E, por termos acabado esta “saga” do Rajastão hoje, trazemos-vos algo muito diferente! Um vídeo (em baixo) com o resumo do mês que tivemos neste Estado da Índia que tantas aventuras, memórias e amizades nos trouxe! E também cicatrizes!

Esperamos que gostem! Se quiserem acompanhar mais vídeos nossos estejam atentos ao nosso canal do Youtube e ao nosso Instagram, onde partilhamos pequenos vídeos diariamente.

Com amor, Matilde e Miguel.

Sobre TravelB4Settle 16 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

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