Em tons de rosa, o Festival floresceu

O Festival da Canção 2018 terminou em festa ontem à noite, em Guimarães. Três mil pessoas aplaudiram freneticamente as 14 canções finalistas e deram o seu maior apoio ao par vencedor da noite: Isaura e Cláudia Pascoal. Foi uma noite colorida de festa e alegria – em que o cor-de-rosa (do cabelo e da Mulher) saiu ganhador.

“Ainda não acredito que estão aqui todos vocês com os telemóveis apontados a nós”, confessava Isaura, a compositora da canção O Jardim, que ontem venceu o Festival da Canção. De facto, após o triunfo, tanto a autora como a intérprete do tema, a jovem Cláudia Pascoal, foram engolidas por dezenas de jornalistas que procuravam captar as primeiras reações da dupla que vencera o certame.

A canção recebeu 10 pontos do júri regional e a pontuação máxima – 12 pontos – do público português. Com 22 pontos, ainda que empatada com a canção Para Sorrir Eu Não Preciso de Nada, O Jardim tornou-se vencedora porque, no desempate, prevalece o voto dos telespetadores. E assim cumpriu-se a previsão de todas as sondagens, que apontavam uma vitória confortável da cantora do cabelo cor-de-rosa.

O tema vencedor é inspirado na avó de Isaura, que morreu há um ano e deixou o seu jardim por cuidar. É sobre a perda de alguém importante que assenta o poema desta canção, o que, na opinião das vencedoras, a torna relacionável com qualquer ouvinte. Musicalmente, Isaura afasta a ideia de não ser uma canção fiel ao seu estilo: “O que esta música tem de diferente é uma guitarra clássica quando eu geralmente utilizo uma elétrica”, explicou à imprensa. Além disso, a compositora também explicou que adora “escrever em português”, e que só assim conseguiria passar devidamente a mensagem da sua canção.

Vencido este Festival da Canção – o primeiro realizado na cidade berço -, é tempo de pensar na participação na Eurovisão. O Jardim vai defender o título de Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção, em Lisboa. Por ser o país anfitrião, Portugal tem presença assegurada na grande final do certame. Nervos, alegria, entusiasmo? “É um orgulho imenso poder representar Portugal”, assumiram as duas artistas, quase em coro. Por responder fica a pergunta que suscita mais curiosidade em todos: o que mudará na canção e na atuação até à apresentação final no Altice Arena, a 12 de maio.

 

As outras vencedoras

Embora não tivessem saído ganhadoras no somatório de pontos, imensos artistas mostravam-se orgulhosos da sua passagem pelo Festival da Canção e confessavam um sentimento de dever cumprido. Susana Travassos, que já tinha falado ao ARDINAS 24 antes do concurso, contou-nos que “foi uma noite maravilhosa, uma verdadeira noite da canção!”. Joana Barra Vaz, que estava ao lado, subscreveu as palavras da colega: “Foi um verdadeiro Festival da Canção no sentido em que, cada canção que entrava, se sentia um orgulho enorme – era música!”.

Ambas as intérpretes estavam satisfeitas com o que sentiram na atuação e elogiaram o público “muito quente, muito amigo” da cidade de Guimarães. À dupla vencedora, Joana Barra Vaz deixou uma curta mas forte mensagem: “que vão para Lisboa e partam a loiça toda!”, disse, entre gargalhadas.

Lili, uma das grandes favoritas dos seguidores mais atentos do Festival da Canção, também conversou connosco após o fim da emissão televisiva. A intérprete de O Voo das Cegonhas diz que o concurso foi “uma experiência espetacular” e que foi “muito estimada pelas pessoas”. A cantora confessou que não estava durante a sua atuação e que ficou “muito satisfeita” com aquilo que fez. Em relação à canção vencedora, Lili mostrou-se muito feliz: “é uma canção lindíssima! Eu já antevia que fosse a vencedora, e inclusivamente já tinha perguntado à Isaura se ela já estava preparada para ir à Eurovisão”.

Minnie & Rhayra, no jeito doce que mostraram também na atuação de Patati Patata, confessaram que houve algum medo em enfrentar toda a plateia de Guimarães, mas que “o principal era a diversão”. A dupla elogiou o público da arena e o facto de as terem apoiado com aplausos. “Ficámos muito mais confiantes, e além disso também trabalhámos imenso para que tudo corresse bem”, explicaram.

Rodeado de fãs estava também Janeiro, que confessou ao ARDINAS 24, com um largo sorriso, estar “muito feliz, porque o Festival é uma celebração da música contemporânea portuguesa”. O cantor destacou o “ambiente de comunhão e solidariedade” e reconheceu ter sido merecida a vitória de O Jardim. Após o Festival, Janeiro já tem um novo objetivo: o lançamento do seu LP. “O Festival é um canal de comunicação, e obviamente o LP vai sair de outra forma”.

O ambiente mágico na atuação de Janeiro.

 

A aventura dos apresentadores

Inês Lopes Gonçalves foi a pessoa que mais próxima esteve dos artistas. À apresentadora coube a responsabilidade de estar na Green Room, a sala onde os participantes aguardam os resultados, para medir a pulsação de cada um deles e saber o que tinham na cabeça durante a gala.

“Foi o culminar de uma grande aventura”, assumiu ao ARDINAS 24 quando questionada sobre o seu estado de espírito, após a grande final. “Foi muito bom poder ter estado tanto nas semifinais como na final, porque assim foi possível aproximarmo-nos todos”, explicou. Inês confessou que foi uma edição do Festival “emocional” e mostrou-se muito feliz com a oportunidade de estar na condução do concurso.

Pedro Fernandes, que esteve no grande palco do Multiusos de Guimarães, destacou-se mais pelos seus dotes futebolísticos do que pela sua capacidade de apresentar um programa de TV – isto porque, durante a emissão, o apresentador pontapeou uma grande bola de plástico para a plateia, que atravessou toda a arena até ser recebida na Green Room. “Espero não ter magoado ninguém”, contou, entre gargalhadas, acrescentando logo depois que “a bola era molinha”. Como surgiu, então, esta ideia? “Foi uma daquelas ideias parvas que temos nas reuniões, e as pessoas da produção levam à letra e incluíram no guião”, explicou, mostrando-se satisfeito por “todas as ideias parvas” que teve terem sido aceites pela RTP e exibidas ontem na gala.

Pedro Fernandes elogiou “as interpretações, as homenagens às Doce e a Simone de Oliveira, e a votação, que foi até à última para saber quem ia de facto ganhar”.

 

A edição de 2019

Pedro Fernandes, que apresentou o Festival ao lado de Filomena Cautela, brincou durante o espetáculo dizendo que Neno, o famoso guarda-redes do Vitória de Guimarães, e que também se ajeita com as cordas vocais, estava já confirmado como participante na edição de 2019.

Podendo não ser verdade, o certo é que o Festival da Canção já está confirmado para o ano que vem, e com uma certeza: a de que a grande final será, uma vez mais, realizada numa outra cidade portuguesa que não Lisboa. A administração da RTP quer descentralizar o certame e colocá-lo a visitar outras cidades.

Guimarães vestiu-se para acolher o evento.

Guimarães recebeu com visível entusiasmo esta edição da maior celebração da música portuguesa. Nas ruas, havia inúmeros cartazes e objetos luminosos que chamavam a atenção para o evento que a cidade ia receber. A experiência correu bem e teve uma adesão acima do esperado. Onde será o Festival no próximo ano? A RTP dirá em breve.

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 351 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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