“Não tocar nos macacos, por favor”

Mais uma semana, mais uma história! E esperamos que estejam a gostar!

Desta vez, ainda vai ser sobre a Índia. Pois é: 50 dias é equivalente a muita história e muita aventura… Mas nós prometemos que vamos tentar ser o mais breves possível, pois estamos desejosos de vos contar tudo ao pormenor das aventuras que estamos a viver agora! Isto porque, na próxima semana, já vos estaremos a escrever a partir do nosso novo destino! Um sítio muito especial, que temos a certeza de que todos conhecem e adoravam lá ir ou amaram lá ir! Se ficaram curiosos e não querem esperar até à próxima semana, vão ao nosso Instagram para ficarem a saber o nosso próximo destino e ainda verem alguns dos nossos vídeos do sítio onde estamos agora.

A história que trazemos hoje é mais uma aventura (também das grandes, pode dizer-se) na mesma cidade da história que vos contámos a semana passada, em Jaipur. Esta cidade do incrível estado de Rajastão trouxe-nos muitas peripécias!

Desta vez, fomos visitar um dos sítios mais famosos desta cidade cor-de-rosa (assim denominada pelo facto de todas as casas e monumentos do centro da cidade serem desta cor): o templo dos macacos!

Para quem não sabe, a Matilde é uma amante nata de animais, e este era um sítio ao qual ela estava desejosa de ir. Contudo, já sabíamos de antemão que estes macacos não são propriamente carinhosos (obviamente continuam a ser animais selvagens) e que muitos deles no Sudoeste Asiático são treinados para roubar as pessoas, portanto, cuidado com as câmaras, carteiras, e outros objetos!

Para chegarmos ao dito Templo, tínhamos que fazer uma caminhada, e durante este caminho vimos muita miséria e lixo (como sempre) e pessoas a dormir nas ruas com todas as espécies de animais (vacas, porcos, galinhas, macacos, etc.). Mas havia um animal que se distinguia! Algo que nunca tínhamos visto antes: era uma vaca, mas parecia que estava a dar à luz e ninguém fazia nada! O senhor (da fotografia abaixo) começou a dizer “six days, six days”, e nós ficámos assustadíssimos a pensar que ele nos estava a explicar que aquele parto já durava há 6 dias. Coitado do animal, nós queríamos ajudar! Chegámos mais perto da vaca e do senhor. Ele começou a pedir dinheiro para tirarmos fotografia à vaca e repetiu a sua frase dos “six days”. Aí, nós percebemos que ele estava a dizer “six legs”. Olhámos de novo para a vaca. Era isso! Ela tinha seis pernas! E, claro, estava a ser usada como atração turística! Bem, já só faltava mesmo ver porcos a voar! Mas, quem sabe? Na Índia tudo é possível!

Continuámos a caminhada e lá vimos o sítio que procurávamos! Um templo no meio do nada, muitos Sadhus (monges hindus) e macacos por todo o lado. A Matilde estava radiante! Foto para aqui, foto para ali, muitas bananas e muitos macacos felizes. Um pousou na Matilde.

A Matilde estava com um sorriso de orelha a orelha, mas também receosa por todas as histórias que já tínhamos ouvido sobre os macacos no Sudoeste Asiático. O Miguel não resistiu ao ver a Matilde com um macaco nas cavalitas e tentou dar-lhe uma festa! E… ups! Pior erro! O macaco mordeu o Miguel!

Foi um momento de imensos sentimentos e emoções. A situação no seu todo tinha a sua piada; ninguém percebera imediatamente que poderia ser grave. Toda a gente (estávamos com um grupo do nosso hostel) estava agora receosa dos macacos e estávamos a avaliar a situação, a pensar em tudo o que tínhamos que fazer. Nenhum de nós havia tomado a vacina contra a raiva, pois os nossos médicos não acharam que fosse preciso. Tínhamos que correr para o hospital, certo? Não! Não com uma personagem despreocupada como o Miguel!

Começámos a pensar em tudo o que nos foi dito nas consultas do viajante e já estávamos a pesquisar as consequências de uma mordida de macaco selvagem e o que devíamos fazer. Percebemos que o Miguel teria de levar várias injeções (cinco doses) contra a raiva de pós-exposição, sendo que a primeira teria de ser até 24h depois do acidente para impedir que, caso o animal tivesse raiva, este vírus se instalasse nos nervos periféricos. E, pronto: o Miguel leu 24h e imediatamente nos disse para continuarmos a visita, e ainda fez as suas piadas habituais (“tenham só cuidado com os macacos, que eles mordem!”). E ninguém o persuadiu!

Continuámos a visita para um sítio onde estavam ainda mais macacos, mas os monges explicaram-nos que aquilo só se tinha passado porque eles se sentem ameaçados por serem tocados, e, por isso mesmo, a primeira indicação que nos foi dada foi para não lhes tocar! O Miguel disse que não ouviu este aviso e, acreditem, a Matilde é que é a pessoa distraída da relação! (risos)

Não temos fotos desta segunda parte da visita, não só porque a Matilde estava mais preocupada com o Miguel do que com os templos lindos que estávamos a ver, mas também porque, na entrada, tivemos de prometer a um monge que não tirávamos fotografias, senão ele cobrar-nos-ia por cada fotografia (coisas à Índia!)

A meio do caminho de volta para a cidade, fomos conhecendo pessoas que se juntaram e, quando demos por nós, éramos um grupo de quase dez pessoas à frente de uma clínica privada, à espera de que o Miguel saísse, não antes de a Matilde “armar a barraca” com o médico e fazê-lo explicar tudo sobre estas situações e provar o que sabia.

Com isto, acabámos por conhecer mais da Índia! Nomeadamente, todos os hospitais de cada cidade que visitámos do estado de Rajhastan, Mumbai e Goa! Cinco vacinas equivalem a irmos visitar muitos hospitais que, ou não têm a vacina, ou não a ministravam por alguma razão, ou simplesmente porque não havia médicos/enfermeiros para o fazer. Como podem imaginar (ou, se calhar, não conseguem) vimos um lado ainda mais forte da Índia. Preferíamos os hospitais públicos pelos preços praticados, mas também nos sujeitávamos às condições; no entanto, tudo funcionava de uma forma rápida e eficaz para quem ia levar injeções/vacinas… Uma fila de doentes, um enfermeiro, e toma, toma, toma! Tinha a sua piada…

O que interessa é que agora tudo está bem! O Miguel levou todas as injeções que tinha a levar e está tudo bem com ele. Com o macaco já não temos tanta certeza, com as pragas todas que o Miguel lhe rogou! (risos)

Para alguns de vocês, este acidente não é novidade, pois puderam ver estes acontecimentos através das nossas instastories, mas o que nenhum de vocês sabe é que temos a fotografia do exato segundo após o Miguel ser mordido pelo macaco (que está ainda atrás do Miguel na foto) e que vamos partilhar com vocês pela primeira vez, aqui no ARDINAS 24!

Conseguem ver as caras de todos boquiabertos?


Sim, como dissemos, agora já está tudo bem! Mas a verdade é que, infelizmente, este não foi o único momento assustador (em relação à nossa saúde) nesta viagem. Estamos em sítios diferentes, com novos perigos, e tudo é diferente para os nossos corpos! Mas, de novo, já está tudo bem e vocês saberão de tudo a seu tempo!

Depois de aventuras mais perigosas e assustadoras, prometemos que para a semana trazemos histórias e aventuras mais alegres! Mas também têm que nos prometer que ficam atentos ao ARDINAS 24 e ao TravelB4Settle.

Com amor,

Matilde e Miguel.

Sobre TravelB4Settle 16 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

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