Isaura: “Para mim, compor uma canção é uma coisa um bocado terapêutica”

Isaura começou no Youtube, onde publicou por iniciativa própria o seu primeiro single, “Useless”, que hoje já conta com mais de 130 mil visualizações. Mais tarde ganhou destaque na plataforma Tradiio, que lhe permitiu alcançar alguma popularidade. Já atuou nos palcos do MEO Sudoeste, do Rock In Rio, do NOS Alive e do Super Bock Super Rock. É já uma das principais jovens artistas portuguesas.

Compôs a canção “O Jardim”, que vamos ouvir hoje na segunda semifinal do Festival da Canção, na voz da Cláudia Pascoal.

O ARDINAS 24 esteve à conversa com a artista, quando ainda pouco ou nada se sabia sobre a sua aposta para o Festival da Canção. Leia aqui a entrevista:

ARDINAS 24 – Ser uma das compositoras do Festival da Canção estava nos teus planos? Como te sentiste quando soubeste que o teu nome estava na lista?

Isaura – Acima de tudo para mim é um orgulho gigante. Fiquei muito contente com o convite, mesmo muito contente. E fiquei muito orgulhosa. Quando vi o painel de compositores deste ano eu não queria acreditar que o meu nome estava ali no meio. Para mim é mesmo um orgulho enorme porque eu desde miúda que escrevo e componho canções – desde os 11 anos. E isso para mim sempre foi mais importante até do que cantar. Acho que é isso que a mim me liga à música: é o escrever, é o compor, é o fazer parte do processo de produção e depois sim, interpretar essa canção. É assim que eu sinto que tenho algum contributo ou alguma coisa a dar à música – é quando eu consigo fazer uma coisa com estes passinhos todos. Sinto que cantar, só, o interpretar uma canção, é algo limitante para mim. E portanto, ter esta oportunidade e aperceber-me de que estava a ter esta oportunidade ao lado daqueles compositores, que eu oiço, muitos deles desde miúda, e tantos outros que eu tenho um respeito profissional gigante, para mim é mesmo um prazer e um orgulho enorme.

Depois da vitória do Salvador Sobral, a fasquia para este ano está um pouco elevada. Já tens algumas ideias para o tipo de canção que vais compor?

O que o Salvador e a Luísa fizeram é fora de série. Eles venceram a Eurovisão. Isto é uma coisa grande. Muito grande. E de facto a fasquia está muito elevada. Esta canção, o “Amar Pelos Dois”, ainda está muito nas nossas cabeças, na nossa memória – nós não nos vamos esquecer, vai ser quase um hino nacional. E portanto, há essa abordagem de tentar igualar o que eles fizeram e isso, na minha opinião, é impossível. Ou então há uma segunda abordagem, que acho que é nessa abordagem que me encontro e com que me identifico, que é: uma permissão. Nada vai ser igual ao que eles fizeram, e isso no fundo dá-nos um bocadinho uma permissão para respirar fundo e fazer uma canção de que pura e simplesmente nos orgulhamos. Vamos dar o nosso melhor, mas não podemos estar a pensar nesta questão da fasquia porque senão os compositores tinham todos receio e ninguém queria participar – não pode ser assim, na minha opinião. As coisas são diferentes, cada canção tem o seu contexto, e nunca nada será igual. Pode ser diferente, pode ser também bom, mas não é igual. Eu ainda não tenho ideias fechadas para o tipo de canção que vou compor – estou a testar algumas ideias, estou a pensar sobre isso e a fazer, mas ainda não está fechado.

Os compositores tiveram a liberdade de escolher o intérprete da canção. Há alguém para quem gostasses muito de escrever uma música?

O intérprete é muito importante. Eu, particularmente, estou habituada a compor e a escrever para mim. Para o Festival, fiz o exercício de me libertar um bocadinho disso. E optei pelo processo inverso, que é: eu vou compor e vou escrever aquilo que eu sentir e não vou estar a compor e a escrever para uma pessoa. Tentei sim encontrar uma pessoa, depois de ter a canção, que eu sinta que pode mudar a alma da canção para o palco.

Conta-nos um pouco sobre o processo criativo que envolve compor uma canção.

Para mim compor uma canção é uma coisa um bocado terapêutica. [No início] Eu uso muito as minhas emoções e as minhas próprias histórias nas canções. É um processo muito pessoal, de pensar em qualquer coisa, de chegar a algumas conclusões, de escrever versos, de procurar algumas linhas melódicas e depois a partir daí é que vou desenvolvendo [a canção]. Também há estruturas que usualmente eu gosto de utilizar e depois deixo-me ir. Tento não ter muitas regras no processo criativo. Depois no processo de produção, aí sim, aí tenho mais regras mas no processo criativo não.

Além do Festival da Canção, que outras surpresas reserva o ano de 2018 para a Isaura?

Em 2018 vai estar pronto o meu primeiro álbum. Eu tenho um EP, pequenino, de cinco canções – depois lancei mais uma canção, chamada “8”, e depois finalmente o primeiro single do álbum chamado “I Need Ya”. Tudo isto vai culminar num primeiro álbum que estou a preparar e que sairá no próximo ano (2018), e que eu espero que as pessoas gostem.

“O Jardim” é a primeira canção em português composta pela artista, e o excerto que já foi revelado foi muito bem recebido pelo público. Para muitos, é uma das canções candidatas à final.

A artista revelou nas redes sociais que compôs a canção “sobre as saudades que tenho da minha avó na esperança de retribuir um bocadinho de tanto que ela me deu”. A intérprete escolhida foi a cantora Cláudia Pascoal, que participou na última edição do programa The Voice.

O álbum de estreia de Isaura chama-se “Human” e tem data de lançamento marcada para o dia 6 de abril de 2018.

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