[Entrevista] Dora Fidalgo, a voz de Miguel Ângelo no Festival da Canção

Dora Fidalgo não é uma voz estranha aos portugueses: durante muitos anos, e até 1997, integrou o famoso grupo Delfins, cuja voz principal era a de Miguel Ângelo. Agora, os destinos dos dois artistas voltam a juntar-se no Festival da Canção: ele como compositor, ela como a intérprete do tema Arco-Íris (Assim Cantou Zaratustra). O ARDINAS 24 esteve à conversa com a cantora, para conhecermos melhor a voz quente e forte que, amanhã à noite, vai pisar o palco do concurso da RTP.

Em 1990, os Delfins ganharam uma nova força vocal, com a inclusão de duas talentosas irmãs: Dora e Sandra Fidalgo. Com elas, o grupo de Miguel Ângelo lançou CDs, fez tournées, esgotou concertos. Os Delfins conheceram o sucesso e tornaram-se, nessa década, um nome incontornável da cena musical portuguesa. Dora Fidalgo viveu tudo isso de perto. “Foram muitos momentos de grande impacto. Emocionei-me várias vezes em palco”, confidencia a intérprete, que diz que ainda hoje é abordada por pessoas que “recordam os Delfins com muita saudade”.

Entre digressões, gravações em estúdio, viagens e momentos nos recintos do espetáculo, “tudo foi vivido com muito prazer”, explica a cantora, que admite haver “muito para contar e sempre tanto por dizer…” Em 1997, a colaboração com a banda chegou ao fim, porque Dora abraçou um novo projeto, desta vez pessoal: ser mãe. “Quando tomei a decisão de me afastar das lides musicais foi algo planeado, de forma bem estruturada, e por isso foi fácil. De qualquer forma, foi um afastamento com um objectivo temporário”, conta, acrescentando que, durante o tempo que dedicou à família, foi compondo, fazendo alguns trabalhos em estúdio e participando em projetos de teatro e música encenada.

Mas é com o Festival da Canção, cuja segunda semifinal decorre este domingo a partir das 21h, que Dora Fidalgo vai de novo encontrar-se com o grande público. “Sinceramente, participar nem estava nos meus planos”, admite a cantora, que rapidamente explica que foi o convite de Miguel Ângelo que a fez dizer sim: “pela amizade, empatia e parceria profissional que fomos desenvolvendo ao longo dos anos, o meu sim foi de imediato”.

Amanhã, Dora vai cantar Arco Íris (Assim Cantou Zaratrusta), uma canção que “fala da esperança que existe debaixo do manto do impossível”. A cantora diz que o tema tem um ritmo que transporta os ouvintes, uma sonoridade descontraída e que convida “a ir até ao fim do arco-íris, onde estará o tesouro” que todos merecemos. “Vou servir a canção para que sejamos uma só! Através da minha interpretação, pretendo que a mensagem chegue ao público como um voto de esperança que, no fundo, todos nós precisamos de sentir!”, promete a cantora, que está muito animada com esta nova experiência.

Se vencer o Festival da Canção, Dora irá representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção, que este ano decorre em Lisboa, no Altice Arena, em maio. E, curiosamente, tal não seria uma novidade para a cantora: em 1989, ela acompanhou o grupo Da Vinci à Eurovisão, como corista. A classificação final não foi famosa, mas o tema Conquistador mantém-se ainda hoje vivo na memória de todos os portugueses.

Dora Fidalgo apaixonou-se pela Música ainda em criança, quando escutava muitos vinis do pai de nomes como The Beatles, Ray Charles, Aretha Franklin, Etta James, Frank Sinatra ou mesmo os portugueses Duo Ouro Negro. Frequentou o curso de Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional e, pelas participações em projetos que circulavam entre o pop, rock, funky e jazz, a artista descreve-se como “uma fusão de influências e ritmos”. “Considero-me criativa (como todo o artista) e procuro estar sempre de corpo e alma em tudo o que faço artisticamente. Sou um ‘bichinho de palco'”, conta, entre gargalhadas.

Foto: RTP

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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