Quando a simpatia encontra o whisky

Olá outra vez! Como prometemos, aqui estamos nós passado uma semana! Já com a nossa apresentação feita, passemos desta vez para as nossas aventuras. Como não queremos que percam nada, vamos começar pelo início… Índia! De quase dois meses passados na Índia, obviamente temos muitas aventuras para contar. Algumas delas nunca contámos, nem nas redes sociais, e são mesmo essas que agora quisemos partilhar convosco!

A nossa aventura pela Índia começou com a maior das aventuras, a fazer couchsurfing com uma família indiana, numa vila remota no estado de Haryana.  Esta experiência já foi partilhada no nosso blog (www.travelb4settle.com), mas também iremos partilhar aqui consigo mais tarde!

A aventura que queremos partilhar hoje também acaba na casa de uma família indiana, mas não tem o desenrolar feliz que a anterior teve. Pois é: às vezes, também temos aventuras menos felizes, mais perigosas. Mas não são estas também parte da nossa história?

Tudo começou no dia anterior… No nosso primeiro dia em Jaipur, também conhecido por cidade cor-de-rosa, fomos explorar a cidade com o Lewis, um amigo britânico que tínhamos conhecido em Nova Deli e que até então ficou connosco a viajar.

Um senhor indiano abordou-nos, como muitos outros, sempre com a pergunta do costume “Where are you from?”; mas, com este senhor, foi diferente. Ele genuinamente queria saber mais sobre nós e partilhar mais sobre si e o seu país. Conversa para aqui, conversa para ali, o senhor ofereceu-se para nos fazer uma pequena tour ali por perto e explicar-nos um pouco da história de Jaipur. Por estarmos perto, perguntou-nos se podíamos ver as suas obras de arte (era pintor). Ao ver-nos desconfiados, avisou logo que não nos queria vender nada, mas sim mostrar o seu trabalho. Fomos então à oficina dele, ele mostrou-nos as suas magníficas pinturas e ofereceu-nos um Tchai (chá típico da Índia). Como era de esperar, tentou vender-nos as suas pinturas, que nós recusámos pela falta de dinheiro e espaço na mala, e continuámos a conversa…

Um pormenor da vida de Jaipur.

Acabámos por almoçar juntos, e perguntámos sugestões de um lugar com bom Wi-Fi (raro na Índia) para podermos trabalhar um pouco da parte da tarde. Ele guiou-nos a um hotel (onde estava a haver a festa de solteiro de um miúdo de 20 anos) e acabou por ficar a beber umas cervejas com o Lewis. Como seria de prever, mal se trabalhou; ao invés, conversámos horas a fio sobre a família dele e as diferenças culturais entre a nossa e a realidade dele. Ele tinha uma mentalidade que muitos de nós consideraríamos “fechada”, pois não permite que o próprio filho namore com uma rapariga europeia por quem se apaixonou, sendo que até já lhe tinha marcado o casamento (para o qual nos convidou) com uma rapariga indiana que nunca viu. Mas nós sabemos que a maior parte do povo indiano pensa assim e, estando no seu país, não está no nosso direito julgar ou condenar.

Ele repetiu por várias vezes que estava muito feliz por nos conhecer e disse que queria muito apresentar-nos à família. Por isso, trocámos de números para nos encontrarmos de novo no dia seguinte, às 17 horas. Estávamos indecisos: ele era simpático… mas não seria demais? Decidimos arriscar!

Assim, às 17 horas do dia seguinte estávamos no mesmo local, com ele a convidar-nos para irmos jantar à casa da filha. Nós estávamos desconfiados: afinal de contas, por mais simpático que fosse, tínhamo-lo conhecido há um dia! Ele percebeu a nossa hesitação. Então, pôs-nos ao telefone com a filha, que, por sua vez, também nos pareceu muito simpática. Fomos! Provavelmente, não devíamos ter ido…

Apanhámos todos um tuktuk e nós propusemo-nos a comprar as bebidas, já que eles nos iam oferecer a comida. Fomos comprar cervejas e ele escolheu antes whisky para ele. Já na casa da filha, todos foram muito simpáticos, com crianças super amorosas por perto e com uns petiscos à nossa espera, que acompanhámos com as cervejas e ele com o whisky.

Mais tarde, ele puxou-nos à parte e disse que tinha muita vergonha, pois não tinha dinheiro suficiente para comprar a galinha. Perguntou-nos se podíamos ajudar na despesa… Não nos importámos, e o Lewis foi comprar a galinha com o genro do senhor. Nós ficamos em casa com ele a comer e a beber. Quando reparámos, a garrafa de whisky já estava meio vazia e ele estava agora a chorar agarrado à filha, a dizer que a amava muito. A Matilde comoveu-se até percebermos que tudo derivava de uma grande bebedeira.

Ele começou a dizer coisas sem sentido e o inglês começou a falhar… Nós estávamos confusos e com receio de como aquilo poderia acabar… A filha começou a discutir com ele, tudo em indiano, e ficámos sem saber o que se passava. Ela apontou para a mesa com a nossa lata de cerveja (que estávamos a dividir) e com a garrafa vazia de whisky e apontou para um pequeno templo que havia na sala. Ups! Ele levantou-se e começou a levantar a voz e até a mão em direção à filha; ela respondeu com gestos de quem o está a expulsar, e nós também estávamos prontos para ir embora. Mas faltava o Lewis! Mandámos-lhe mensagem a explicar o que se tinha passado, mas ele não respondeu… A filha tentou explicar (com o pouco inglês que sabia) que não era nada contra nós, mas que não queria álcool ao pé do templo onde rezava (mais tarde percebemos que era mesmo pela bebedeira do pai). Nós concordámos com tudo; na verdade, no meio daquele constrangimento, só queríamos ir embora, mas não sabíamos o que fazer… Dissemos que íamos embora e a família insistiu em que ficássemos para jantar. A galinha tinha chegado e já estava tudo quase pronto; faltava só cozinhar! O Lewis não percebeu nada, porque não tinha visto a mensagem. Sinais atrás de sinais, lá olhou para o telemóvel (falar em português é fácil, ninguém percebe, mas o Lewis era inglês).

As coisas acalmam e a filha implorou para que ficássemos para jantar. Ela adorou a Matilde (ao ponto de lhe oferecer o colar de ouro do seu casamento, que a Matilde teve de recusar!) Continuávamos a querer ir embora, mas achámos que o melhor era comer primeiro, para não haver mais confusão (e a galinha cheirava bem, depois de um mês como vegetarianos!)

Algumas crianças desta família aceitaram tirar uma foto com a Matilde.

Continuávamos às mensagens com o Lewis, que nos explicou que teve de pagar a galinha toda e que tinha sido mais do que o que lhe disseram inicialmente e que, para além disso, tinha assistido à matança do animal, de modo que não conseguia sequer pensar em comê-la! A expressão dele a explicar esse evento foi a única coisa que nos fez rir durante este jantar! No entanto, a comida estava deliciosa – muito picante, claro, mas deliciosa!

Comemos à pressa e anunciámos que íamos chamar um Uber, quando eles disseram que faziam questão de que fosse o vizinho (que era taxista) a levar-nos, que eles pagavam! Nós aceitámos, pois, mesmo que eles não pagassem, nós não íamos pagar, isso era certo! Já estávamos fartos de esquemas.

E, adivinhem? Chegámos ao hostel, saímos do carro e o condutor pediu-nos dinheiro! Meu Deus! Nós dissemos para ele se entender com a família que tinha prometido pagar. Enfim, finalmente no hostel. Que alívio, grande aventura! Mais uma para contarmos…

E escolhemos contar-vos aqui no ARDINAS 24! Esperamos que tenham gostado desta nossa experiência um pouco mais louca, pois temos muitas mais para vos contar. Umas mais loucas e mais perigosas e outras menos, mas todas fazem parte de nós e desta aventura e são estas experiências que tornam tudo mais excitante!

Vemo-nos para a semana!

Com amor, Matilde e Miguel!

Sobre TravelB4Settle 16 artigos
Somos a Matilde e o Miguel, um casal de portugueses que deixou tudo para trás e decidiu seguir o sonho em comum! E que sonho é esse? Viajar a tempo inteiro e explorar todo o mundo enquanto trabalhamos online! Não, não somos especialistas em tecnologia e nunca fizemos nada online, mas, hoje em dia, tudo aquilo de que precisas é conexão à internet e uma forte vontade. Assim, podes aprender qualquer coisa e consegues o que quiseres! E isto foi o que fizemos: virámos as costas à sociedade e ao caminho tradicional (imposto por esta) e lançámo-nos nesta aventura com o objetivo principal de ajudar todos os que têm o mesmo sonho que nós! Estamos nas grandes redes sociais como “Travelb4Settle” e agora estamos no ARDINAS 24 a partilhar as nossas experiências e conhecimento sobre o mundo que andamos a descobrir! O online e o planeta terra!

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