Festival da Canção 2018: o regresso dos grandes nomes

É já no próximo domingo que arranca a 50ª edição do Festival RTP da Canção. O histórico concurso musical da estação pública de televisão vai apurar, uma vez mais, o representante de Portugal no Festival Eurovisão da Canção, que este ano decorre em Lisboa. A tarefa desse embaixador português não será fácil, uma vez que há que defender o título conquistado em 2017 por Salvador Sobral. Num momento em que existe mais entusiasmo do que nunca em torno do certame, é importante conhecer os artistas que estão na lista de participantes deste ano. Comecemos com três dinossauros da música nacional, que dispensam apresentações: Jorge Palma, José Cid e Fernando Tordo.

Não há ninguém que não os conheça. Do macaco e da banana de José Cid, à Tourada de Fernando Tordo, passando pelos incontornáveis Deixa-me Rir ou Encosta-te a Mim, de Jorge Palma, é impossível não saber quem são estes três artistas, intérpretes e compositores, dos nomes mais consagrados da música nacional. Surpreendentemente, aceitaram o desafio da RTP para escreverem uma canção para o Festival da Canção 2018. E, curiosamente, irão os três participar na primeira semifinal do concurso, que acontece no próximo domingo, dia 18 de fevereiro.

 

José Cid não é um estranho nestas lides festivaleiras. Na verdade, o cantor já havia vencido o Festival RTP da Canção em 1980, tendo representado Portugal na Eurovisão com a canção Um Grande, Grande Amor (de onde vêm os inesquecíveis versos “addio, adieu, aufwiedersehen, goodbye”). Mais tarde, em 1998, foi o compositor da canção portuguesa no concurso europeu – Se Eu Te Pudesse Abraçar, interpretada pelo grupo Alma Lusa.

Mas, além dessas participações, o veterano músico já tinha participado nas edições de 1968, 1974, 1978, 1981, 1988, 1993, 1995, 1996, 1997, 2001, 2007 e 2015, umas vezes na voz, outras vezes como autor da letra, outras como criador da música. Nessas participações incluem-se temas tão célebres como A rosa que te dei, No dia em que o rei fez anos ou Cai Neve em Nova Iorque.

Fora do Festival, José Cid leva uma carreira de sucesso. A solo ou nos grupos em que participou, lançou várias dezenas de discos. Aos 76 anos de idade, acabados de fazer, ainda dá vários concertos por ano onde demonstra como está ainda viva a sua voz. Com o álbum “Dez Mil Anos Depois Entre Vénus e Marte”, datado de 1978, conseguiu tornar-se uma referência no rock progressivo português; o disco teve até aclamação internacional junto dos apreciadores do estilo.

No domingo, José Cid vai cantar sozinho, em palco, uma canção que ele próprio compôs e escreveu – O Som da Guitarra é a Alma de um Povo.

 

Jorge Palma e Festival da Canção parecem ser, à partida, duas realidades intocáveis. No entanto, desengane-se quem pense que o músico português andou sempre de costas voltadas ao certame da RTP. O cantor já participou uma vez no concurso, no longínquo e turbulento ano de 1975, quando o país ainda procurava adaptar-se à revolução do ano anterior e evitava o irromper de uma outra. Nesse ano, num Festival marcado por uma estética e linguagem característica da esquerda radical, o cantor surgiu com duas canções: Viagem e Pecado (do) Capital.

Nesse ano, lançou o primeiro disco e, após esse, seguiram-se outros 12, em estúdio. Há muitos outros álbuns que entretanto foram lançados, ou com espetáculos ao vivo, ou com colectâneas. Os seus últimos sucessos apareceram nas bandas sonoras de novelas dos canais privados e, com isso, Jorge Palma beneficiou de uma nova onda de popularidade, que justifica o convite feito pela RTP para compor um tema para este Festival da Canção.

Compôs e escreveu o tema Sem Medo, que o cantor Rui David vai defender na primeira semifinal, este domingo. Em entrevista ao site Festivais da Canção, especializado nesta matéria, Jorge Palma descreveu como sendo uma canção “de amor com rugas, um bocadinho irónica, de quem já viveu amores e desamores”.

 

Fernando Tordo é o outro dos grandes nomes que terão uma canção a concurso na primeira eliminatória do Festival da Canção. O músico, que não há muito tempo virou costas a Portugal e mudou-se para o Brasil, já tinha representado o nosso país na Eurovisão a solo, com a canção Touradae em grupo, inserido no conjunto Os Amigos, com a canção Portugal no Coração. Tal como José Cid, teve outras participações ao longo dos anos, a última das quais em 1984.

Foi, por isso, com surpresa que muitos viram o seu regresso ao certame e, mais ainda, ao seu país de origem, que tanto criticou em anos passados. Surpreendente é também o facto de se fazer acompanhar por Anabela.

A cantora e atriz também já representou Portugal na Eurovisão em 1993, quando tinha apenas 16 anos. A sua canção – A Cidade (Até Ser Dia) – é intemporal e ainda hoje é trauteada por pessoas de todas as gerações. Agora, mais madura, mais experiente e até com um pequeno Vicente nos braços, nascido em outubro último, a artista volta a pisar o palco do Festival, com a canção Para Te Dar Abrigo.

Vídeos: Festival da Canção – RTP

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

2 Comentários

  1. José Cid foi também autor e compositor de um dos temas do FC2011. Jorge Palma participou em três FC’s: 1975, 1980, 1987 para além deste ano.

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