Darkest Hour: a superação de um homem e a vitória de uma nação

É um registo emotivo e sufocante dos primeiros dias de Winston Churchill como Primeiro-Ministro do Reino Unido. O filme Darkest Hour (A Hora Mais Negra, em Portugal) traz-nos uma perspetiva inédita sobre uma das personalidades mais importantes da história britânica e um dos grandes responsáveis pela vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Esta fita, que num fundo é um documentário romanceado, está nomeada para o Óscar de Melhor Filme.

É um homem velho, um pouco corcunda, de cabelos brancos, mãos trémulas e uma voz que já parece incapaz de sair da garganta. É teimoso e arrogante, desleixado até, como se já não valesse a pena ser diferente, dado que se vivia os aparentes anos finais da sua longa vida. Tinha 66 anos, uma longa existência pautada pela participação em várias guerras e por quatro décadas de desempenho de cargos públicos. Em 1940, quando parte da Europa vivia em alvoroço com o crescente da ameaça nazi, ele já só pedia descanso. Nesse mesmo ano, é-lhe dado o maior desafio da sua vida.

É na passagem de Winston Churchill de homem caduco a Primeiro Ministro que se foca uma parte de Darkest Hour, o filme realizado por Joe Wright e nomeado ao Óscar de Melhor Filme. A transformação da personagem é radical, e o espetador acompanha-a com interesse; cada limitação que o chefe de governo britânico, aqui interpretado por Gary Oldman, ultrapassa é um alívio que o público sente. Facilmente se simpatiza com a personagem, apesar da sua forte e irregular personalidade, e rapidamente nos somos colocados nas situações com que ele tem de lidar.

O filme não tem um ritmo acelerado e, com isso, o espetador ganha tempo para se relacionar com cada participante na história e, sobretudo, para sentir os mesmos dilemas que elas enfrentam. O título do filme não mente naquilo que é o pano de fundo da ação: é a hora negra em que o exército nazi, que já ocupara o território da França, se aproximava das bases militares britânicas situadas em Dunquerque, que rapidamente ficaram circundadas pelas forças de Hitler. O que fazer, em termos políticos e militares, é o dilema que se impõe a Winston Churchill, que terá de usar todo o seu saber e experiência para tomar uma decisão que, aos olhos da sociedade, é claramente difícil e angustiante.

No elenco do filme estão nomes como Ben Mendelsohn (que personifica o rei Jorge VI), Kristin Scott Thomas (a esposa do Primeiro Ministro) e Ronald Pickup (como Neville Chamberlain, o antecessor de Churchill na chefia do governo). Nos Óscares deste ano, Darkest Hour, que só chegou às salas portuguesas em janeiro deste ano, está também nomeado para Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Figurino e Melhor Penteado e Maquilhagem. Gary Oldman encontra-se nomeado para Melhor Ator.

Winston Churchill foi considerado, em 2002, o maior britânico de todos os tempos, e também foi vencedor de um Prémio Nobel da Literatura.

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Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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