Legionella regressa à ordem do dia

A Legionella continua a estar na lista de preocupações recorrentes dos serviços hospitalares e do Governo. A recente presença da bactéria no Hospital CUF Descobertas, em Lisboa, já infetou 14 doentes, um número que tem vindo a subir nos últimos dias e que não deverá travar nos próximos. O problema está nos duches do hospital.

A direção da CUF Descobertas tem vindo a contactar todos os doentes internados no hospital durante o período esperado de infeção com a bactéria da Legionella (de 6 a 26 de janeiro). Dos 800 doentes, mais de 750 já foram contactados pelos serviços de saúde deste hospital, de modo a realizarem exames médicos que permitam diagnosticar a doença. É esse esforço que explica o constante aumento de doentes, que são informados da sua condição de saúde.

Três pessoas encontram-se internadas em unidades de cuidados intensivos, conforme avançou a Direção Geral da Saúde no balanço de ontem, que esclareceu ainda que, dos 14 doentes, 12 têm mais de 50 anos de vida. Da parte do hospital vêm garantias de que os internados estão numa situação estável e de evolução positiva.

Mas o drama da Legionella não se cinge aos quartos dos hospitais onde a doença vai aparecendo, pontualmente, ao longo do tempo. Em termos políticos, os casos de infeções têm sido encarados com gravidade e até alguma tensão, o que explica a recente tomada de posição por parte do Governo, que apresentou um projeto de lei para obrigar à realização de auditorias obrigatórias a cada três anos para evitar o surgimento da bactéria que provoca a doença, bem como ao registo de todos os equipamentos que podem estar na origem do desenvolvimento da bactéria. As empresas que não realizarem estas avaliações dentro dos prazos estipulados ou que venham a estar na origem de novos surtos podem ter de pagar coimas que vão até 45 mil euros.

Sobre o caso da CUF Descobertas, o Bloco de Esquerda já requereu ao Parlamento uma audição a Graça Freitas, diretora geral da Saúde, para que se apurem mais responsabilidades.

A bactéria vive, habitualmente, em ambientes naturalmente aquáticos, como rios, lagos ou águas termais, mas também pode crescer em máquinas que, artificialmente, trabalham a água para abastecimento de cidades ou equipamentos como duches, ar condicionado ou aparelhos de refrigeração. É deste tipo de máquinas que provem a bactéria com que os hospitais têm lidado.

Vale a pena lembrar que, em novembro último, um surto de Legionella deixou em alvoroço o Hospital São Francisco Xavier, também em Lisboa, provocando seis mortes. Um relatório rapidamente realizado mostrou que o problema estava na falta de manutenção de uma torre de refrigeração.

Foto: Lucia Cangussu

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 358 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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