Helena Sacadura Cabral escreve sobre os ‘magníficos’ da História

Helena Sacadura Cabral voltou a demonstrar o seu interesse pela História ao lançar o livro Os Nove Magníficos. Nesta obra, a autora destaca a vida e o percurso político de nove importantes reis de Portugal – alguns escolhidos surpreendentemente por estarem na origem de revoluções que mudaram para sempre o rumo da História do país.

É uma velha paixão aquela que Helena Sacadura Cabral tem pela História. Já o tínhamos sabido pelo lançamento do livro As Nove Magníficas, em cujas páginas a autora percorreu a vida e o desempenho político de nove rainhas de Portugal, e agora ficou atestado com a publicação de Os Nove Magníficos, livro que faz par com o primeiro e que mostra, desta vez, os homens que tiveram a Coroa nacional e foram particularmente importantes para o rumo da nação.

A escolha, avisa a escritora, é completamente subjetiva. Outros autores poderão concordar com a importância dada a certos monarcas, ou sentir que outros ficaram esquisitos nesta seleção. Assim, Helena Sacadura Cabral destaca a vida de D. Afonso Henriques (“um estratega militar, um hábil negociador com a Igreja e com aqueles com quem discutiu a obediência, um homem aberto à inovação”, conforme descreve), de D. Dinis (“pragmático, inegavelmente inteligente”), de D. João I (que definiu “modelos que deveriam ser seguidos pelos súbditos, construindo, deste modo, uma memória iconográfica que perduraria no tempo”) e de D. João II, que, não tendo sido um santo, beneficia de uma imagem de “quase perfeição”. O rei D. Manuel I também não foi excluído, por ter sido um monarca “perfeitamente enquadrado pelos ventos da História” e um dos grandes responsáveis pelo crescimento de Portugal para outros continentes, através da exploração marítima.

Mas a autora também escolheu pessoas mais controversas. É o caso de D. João IV, que a autora assume não ser “uma personagem muito fascinante”, embora esteja ligada à independência de Portugal, ou de D. José I, em cujo reinado teve mais importância o papel desempenhado pelo seu primeiro-ministro, o Marquês de Pombal. Helena Sacadura Cabral também escolheu falar de D. João VI, famoso pela sua fuga apressada para o Brasil aquando do perigo da invasão francesa pelas tropas de Napoleão, cujo reinado ficou pautado por “golpes e contragolpes revolucionários que colocam a sua monarquia e a sua cabeça a prémio”.

A autora também lembrou D. Carlos, o penúltimo rei de Portugal e que viria a ser assassinado num atentado no Terreiro do Paço, em fevereiro de 1908. “Era considerado pelos seus contemporâneos um dos mais inteligentes e capazes reis do seu tempo, quando a Europa era ainda, com exceção da França e da Suíça, um conjunto de monarquias”, explica a escritora, justificando a escolha de uma figura que, na época, foi tão mal-amada pelos seus conterrâneos.

Para amantes de História ou para pessoas cuja curiosidade sobre o mundo da monarquia é imensa, o livro Os Nove Magníficos torna-se uma excelente ferramenta para aumentar o conhecimento sobre o passado português, até porque está feito com uma escrita acessível a todos, entusiasmante e suficientemente bem documentada.

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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