Viagens

No oceano, à boleia das correntes, pelo ar, ao sabor do vento, ou no deserto, numa busca interminável. Todas as viagens têm em comum um início, mas nem todas têm em comum um final. Mesmo as que podemos controlar e que nos fazem sonhar e imaginar mundos novos, repletos de simplicidade e autenticidade.

 

flOw

Foi em 2006 que, pela mão de dois estudantes universitários, foi criado flOw, um videojogo indie desenvolvido para uma tese de mestrado, que mais tarde acabou por ser lançado para PlayStation pela Thatgamecompany, fundada por estes dois estudantes, Chen e Clark. Em flOw, mergulhamos no profundo oceano e encontramos um videojogo minimalista, que apela a uma jogabilidade diferente do habitual, numa produção audiovisual que tem tanto de original como de artística. Uma viagem aquática, que nos transporta e nos movimenta pelas correntes naturais do oceano, flOw foi reconhecido pelo seu pormenor e pelos detalhes que o tornam tão especial.

Flower

Flower surgiu na PlayStation dois anos depois flOw e pela mão dos mesmos criadores, como um sucessor do título anterior. No mundo de Flower, abandonamos o cenário oceânico e passamos para o campo e para a Natureza floral. Se antes controlávamos a vida aquática, agora controlamos o vento que sopra pela floresta, pela planície e por muitos outros cenários que, tal como os de flOw, são visualmente muito bem construídos e igualmente autênticos e simples, acompanhados por uma banda sonora relaxante e inspiradora. Conduzindo o vento, a nossa função em Flower é guiar uma pequena pétala de flor, de forma a que esta desperte as restantes flores, reavivando os vários caminhos que vamos percorrendo.

 

 

Journey

Chegamos assim àquela que é a grande Viagem. Lançado em 2012 pela mesma empresa dos títulos anteriores, a Thatgamecompany, Journey é também um videojogo indie absolutamente deslumbrante, que nos apresenta um cenário árido, no qual podemos caminhar por entre dunas e areais, na busca por um destino incerto, cruzando a caminhada de outros viajantes. Com uma banda sonora melódica, Journey consegue transmitir-nos uma certa nostalgia, em conjunto com os muitos e encantadores pormenores visuais que nos são oferecidos. De uma forma graciosa, Journey torna-se um videojogo mágico, pela simplicidade, o mistério e a genuinidade com que nos conta a sua história.

 

 

flOw, Flower e Journey fazem-nos ver que um videojogo não precisa de grandes algazarras sonoras e visuais para ser atraente, apelativo e envolvente. Podemos também perceber – tal como os seus criadores perceberam – que um título (ou três) não escondem o empenho, a dedicação e o carinho com que são pensados, desenvolvidos e desenhados.

Sobre Diogo Ventura 93 artigos
Cedo percebi que o meu caminho passaria pela criatividade e pela imaginação. Comecei com desenhos e rabiscos, passei a pequenas histórias e mais tarde cheguei à publicidade e às peças de humor. Foi também desde cedo que dei por mim a mergulhar no mundo dos videojogos, quase antes de começar a andar - até porque, quando jogava, jogava sentado. Anos mais tarde, licenciei-me em Publicidade e Marketing e trabalho há algum tempo na área do Marketing e da Criatividade Digital. No Ardinas 24, já escrevi e opinei, e sou agora autor da rubrica semanal Bonus Stage, um pequeno espaço sobre videojogos e o mundo do Gaming.

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