‘Nascemos Para Ser Felizes’. O homem por detrás de Emanuel

O homem que nasceu com quase cinco quilos e que, aos 10 anos de idade, já tinha partido, sozinho, para Lisboa apresentou ontem, no Colombo, a sua biografia. Emanuel, um dos mais populares artistas portugueses, contou à autora Elizabete Agostinho pormenores nunca antes revelados sobre a sua vida profissional e pessoal e lembrou os momentos mais marcantes da sua existência. No título, está o mote da sua vida: Nascemos Para Ser Felizes.

A Fnac do Colombo estava cheia de fãs, amigos e familiares de Emanuel, além de muitos representantes de órgãos de comunicação social que não quiseram perder a oportunidade de registar (mais) um momento marcante da vida do cantor. Emanuel lançou a sua biografia e convidou a amiga Júlia Pinheiro para apresentar a obra, que é um registo único da vida de 59 anos do artista.

A apresentadora da SIC, que conhece Emanuel há mais de 30 anos, assumiu que, ainda assim, não sabia boa parte do que está presente no livro, que faz questão de elogiar por expor a vida do cantor ao mesmo tempo que a enquadra num contexto mais alargado. Júlia Pinheiro explicou que conheceu o artista na rádio e que ficou logo impressionada pela sua postura: “o Emanuel é um homem que sabe comunicar e um homem que sabe estar”.

A autora da obra ao lado de Emanuel e Júlia Pinheiro, ainda na companhia de um representante da editora.
A autora da obra ao lado de Emanuel e Júlia Pinheiro, ainda na companhia de um representante da editora. (Foto cedida por Carlos Portelo/Festivais da Canção

Júlia Pinheiro aproveitou o seu tempo de antena para percorrer muito brevemente as várias etapas da vida do cantor – o nascimento (difícil, numa aldeia isolada, com apenas uma parteira a ajudar no nascimento de um bebé com quase cinco quilos), a partida para Lisboa, o primeiro trabalho (como barman), o sonho de ser jogador de Futebol e os primeiros passos no mundo da Música, onde Emanuel desde cedo se mostrou excecional. “O que teriam sido a dimensão e a escala deste talento se tivesse nascido num país com maior mercado que o nosso?”, questionou Júlia Pinheiro, que elogia a forma como o cantor “nunca se apoquentou com os preconceitos”.

Nascemos Para Ser Felizes é, continuou a apresentadora, “a vida de um homem normal que tem um talento excecional” – em 24 anos de carreira, Emanuel compôs mais de 1200 canções em estilos diversos, mas principalmente na vertente de música popular que ele próprio desenvolveu e que o público designa por pimba. Apesar disso, no livro, o cantor admite que não sabe dançar, que precisa do apoio das bailarinas e que fica afónico quando está muito nervoso – algo que lhe aconteceu na sua primeira tentativa no Festival da Canção.

Quando tomou a palavra, Emanuel quis deixar claro que sempre pautou pela discrição: “dava-me jeito ter um oásis de paz a que pudesse voltar sempre que me era conveniente [a família] (…) ou talvez por acreditar que a minha formação musical era suficiente para desepenhar as minhas funções”, explicou. O cantor disse ainda que quis dar a conhecer o homem por trás do artista e mostrar que a sua vida foi igual à de “muitos homens e mulheres” da sua geração.

“Fui adolescente quando deveria ter sido criança, fui homem quando deveria ter sido adolescente, que acreditava que nasceu para ser feliz e que fez tudo o que tinha ao seu alcance para o conseguir, e que todos os dias é grato ao céu por tê-lo conseguido”, disse Emanuel.

O cantor tem mais projetos preparado para os próximos meses, que vai equilibrar com a gestão da sua própria empresa, a AM Produções, que agencia e produz outros artistas, como os MAXI ou Romana. O homem que investiu na criação de um novo género musical já experimentou muitos outros – como o dance, o house, o kuduro e o kizomba – e descobriu o segredo para o sucesso: “quanto mais aprendo, mais sei que a melhor música não é aquela que tem muitas notas, mas sim aquela que tem as notas suficientes para criar emoções”.

Fotos: Gonçalo Esteves Coelho/ARDINAS 24

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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