Orgulho e Preconceito, de Jane Austen

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Há clássicos e, depois, há Jane Austen. Jane Austen é, claro, um universo literário à parte, vindo do século XVIII/XIX para se mostrar muito à frente do seu tempo. Austen era uma feminista quando a palavra ainda não se usava, uma escritora que faleceu cedo, aos 41 anos, mas que conseguiu deixar a sua marca na literatura.  Orgulho e Preconceito é talvez um dos melhores livros de sempre.

Foi publicado em 1813 mas, na verdade, tinha sido terminado 16 anos antes, em 1797, quando Jane Austen tinha 21 anos. Orgulho e Preconceito traz-nos a história de Elizabeth Bennet, a filha do meio do casal Bennet. Elizabeth acaba por ser a personagem que mostra também a forma como Jane Austen estava muito à frente do seu tempo: a maneira como Elizabeth lida com a sua forma de educação, a cultura, a moral e, claro, com o tema “casamento”, revelam muito numa época em que os casamentos eram combinados ou aconteciam por um qualquer interesse. Mas Elizabeth recusa casar com um homem porque não o ama, o que era quase um ultraje na época.

O problema de Elizabeth é que ela se baseia muito em primeiras impressões, tanto que, quando conhece Mr. Darcy, que inicialmente a despreza, o considera arrogante e orgulhoso. É curioso pensar que este romance esteve para se chamar Primeiras Impressões, porque o título teria assentado que nem uma luva, já que as primeiras impressões das personagens deste livro têm realmente muita força no desenvolvimento do enredo.

No entanto, as primeiras impressões também se revelam erradas quando Elizabeth começa a perceber que julgou mal o carácter de Mr. Darcy, que está irremediavelmente apaixonado por ela. Num livro com várias edições, com mais de 20 milhões de exemplares espalhados pelo mundo, em várias traduções, engane-se quem pensa que Orgulho e Preconceito é um livro do século XIX. Não. Orgulho e Preconceito é um livro intemporal, que se passa no século XVIII, mas que retrata algo que não tem prazo de validade. É assim que se criam clássicos.

Sobre Sofia Costa Lima 46 artigos
1994 foi um ano bom: estreou o Pulp Fiction, o Rei Leão e FRIENDS, e foi o ano em que os Muse se formaram. A par de tanta coisa boa, nasci eu, numa aldeia chamada Fiães, no interior do país, onde algumas operadoras continuam a não ser uma boa opção para redes móveis. Em 2016 licenciei-me em Jornalismo, na Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa, onde colaborei em alguns dos núcleos extracurriculares. Pelo meio publiquei dois livros e comecei a escrever mais de uma dezena deles, que nem sempre terminei. Tenho um blog, sou adepta do FC Porto e dona de uma cadela espetacular. Continuo a acreditar numa versão de mim que vai viajar pelo mundo, ler muitos livros e ver ainda mais concertos. Até lá, é possível que me encontrem sempre com fones por perto.

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