Roteiro Pelo Tempo – Forte de São Julião da Barra

portugal dos descobrimentos

Se a cidade de Lisboa conseguiu ser a mais importante e rica do mundo em tempos, é porque pôde contar com a ajuda sempre fiel de construções militares como aquela de que hoje vos falamos. O Forte de São Julião da Barra localiza-se no extremo do concelho de Oeiras e garantia que nenhuma embarcação indevida penetrasse mais fundo no Tejo e alcançasse Lisboa. É a maior fortaleza marítima do país e continua hoje a ser utilizada.

forte de são julião da barraÀ entrada do Forte de São Julião da Barra somos logos confrontados com a informação de que o monumento é pertença do Exército Português, desempenhando ainda hoje um importante papel para o Estado – é, ainda mais, a residência oficial do Ministro da Defesa de Portugal. Por estas razões, as visitas não podem ser feitas à vontade do turista, nem podem ocorrer a qualquer momento. Este forte, cuja construção começou em 1553, foi durante séculos considerado o “Escudo do Reino”, e a importância simbólica mantém-se.

Concluído em 1568, o Forte de São Julião da Barra não pôde, contudo, ajudar o Portugal Imperial por muito tempo: D. Sebastião morreria 10 anos depois, e os problemas de sucessão que se seguiram levaram a que os espanhóis ocupassem o trono. Os Filipes engrandeceram ainda mais o forte, conscientes da sua importância estratégica, e fizeram das masmorras locais de encarceramento de vários presos políticos, uma prática que nunca se perdeu com o passar dos anos – o Marquês de Pombal prendeu aí mais de 100 jesuítas, e o famoso general Gomes Freire de Andrade foi lá preso e assassinado.

Ao longo dos anos, a fortaleza sofreu várias intervenções para corrigir falhas e para se modernizar, estando no centro de vários momentos de tensão militar. Quando os franceses ocuparam Portugal, fizeram do Forte de São Julião da Barra o seu quartel-general. Mais tarde, outros franceses dispararam contra o complexo durante a guerra que opôs liberais a absolutistas.

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Durante o Estado Novo, quando outras prisões políticas foram utilizadas, o esplendor do Forte foi aproveitado como sala de visitas oficiais – o general Eisenhower foi aqui recebido em 1951, dois anos antes de se tornar Presidente dos Estados Unidos da América. Recentemente, em 2012, Angela Merkel foi aqui recebida por Pedro Passos Coelho.

A viagem do ARDINAS 24 aos vestígios do Portugal dos Descobrimentos termina aqui, chegados que estamos ao último dia deste quente mês de julho. Até ao próximo domingo é tempo de descansar e de aproveitar as maravilhas da costa portuguesa – e não faltam duas incríveis opções perto do Forte de São Julião da Barra: à direita, a praia de Carcavelos; à esquerda, a da Torre.

Fotos: Gonçalo Esteves Coelho

Sobre Gonçalo Esteves Coelho 363 artigos
Sou um poço de contradições. Não gosto de falar mas sou jornalista. Adoro escrever mas cada vez leio menos. Sou sereno mas não consigo resistir a soltar a minha alegria quando escuto música popular. Não gosto do calor mas adoro o mar português, a sua frescura, o seu sal, as histórias que tem para nos contar. Odeio tomar decisões e, no entanto, sou o CEO deste projeto. Nasci em Lisboa, há 21 anos. O meu coração, vermelho e verde, bate por Portugal e por todos aqueles em cujas veias corre igual amor a este país, à nossa gente, à nossa cultura. Vivo perto de Sintra, esse livro de História a céu aberto, em cujos recantos gosto de me perder. Adoro museus, palácios, castelos e igrejas. Regressei ao Ensino Superior e lancei-me numa nova aventura, sem a qual não conseguiria realizar-me totalmente: o estudo da História. Em pequeno, havia quem me dissesse que iria ser jornalista. Também me diziam que deveria ser professor de História e que tinha tudo para ser um novo José Hermano Saraiva. Se calhar sou muito transparente naquilo de que gosto, ou então essas pessoas conheciam-me muito bem. Acertaram. O que virá depois eu não sei. Escolha que caminho escolher, terei de ser eu próprio. Sempre.

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