Bear Me Again: O quarteto tem novo single

Os Bear Me Again, uma banda de quatro rapazes de Belo Horizonte, no Brasil, lançam “Analogies and Metaphors”. O single antecede a edição de um novo EP, que será lançado ainda este ano. Com um estilo indie-folk e influências de música alternativa nativa de Belo Horizonte, têm vindo a mostrar-se cada vez mais desde 2012, quando iniciaram o seu percurso.

O primeiro álbum foi lançado em Setembro de 2015 e ganhou o prémio de disco independente de Minas Gerais de 2015 pela Musical Street e pelo Jornal e Revista Correio Eletrônico.

Wendhell Werneck (voz e violão), Luís Lopes (baixo e back vocal), Diego Ernane (guitarra e back vocal) e Thiago França (bateria) compõem a banda e transformam as suas músicas em arte com alma e muita sensibilidade. Com a essência de bandas como Coldplay, Kings of Leon, Mumford & Sons, Johnny Cash e U2, conseguem envolver vários públicos com a sua música abrangente.

O ARDINAS 24 foi conhecer esta banda e, como não poderia deixar de ser, mostramos um video com um dos trabalhos dos Bear Me Again.

Ardinas 24: Em que é que “Analogies and Metaphors” é diferente dos vossos temas anteriores?

Bear me again: Falando em momento, pode se dizer que ela é a nossa música mais madura, porque foi a última do álbum a ser escrita, e então já tínhamos uma certa afinidade uns com os outros e entendíamos melhor como trabalhar em conjunto. Por isso, apesar de o tempo que havíamos dedicado às outras músicas ser bem maior, ela ficou tão pronta quanto as demais num intervalo relativamente curto.

Quando eu mostrei “Analogies and Metaphors” para a banda, não gerou entusiasmo instantâneo, mas, quando começámos a tocá-la juntos, todos percebemos como ela era boa, não só de se tocar, mas de se sentir: era uma sensação incrível! Lembro que, sempre que a começávamos a tocar, gerava imediatamente um novo ânimo nos nossos ensaios, como se estivéssemos prontos para fazer tudo de novo. Às vezes, subíamos nos bancos do estúdio e dançávamos muito mais do que qualquer outra música.

Ela tem uma origem um pouco engraçada: eu havia escrito uma música com uma mensagem parecida, mas tinha tentado ser bem poético e passar essa mensagem – que era simples – de forma analógica e complexa. Usei expressões de linguagem, figuras abstratas, objetos de representação de sentimentos, palavras formais… No fim, li a música e não entendi bem o que eu mesmo estava tentando dizer. Então, joguei ela fora e escrevi “Analogies and Metaphors”, que diz tudo o que eu queria, mas de forma simples. Apesar de ser apenas uma canção sem muita complexidade, ela passa a mensagem que eu quero passar.

O novo EP já tem data marcada?

Ainda não. Demorámos mais do que o previsto para começar a gravar porque decidimos tomar muito cuidado e agir com muita precisão para este novo projeto. Estamos passando e repassando as demos nos ensaios, ouvindo e analisando bastante como soam, e finalizando os últimos detalhes que precisam ser lapidados, para chegarmos o mais próximo possível do objetivo que acreditamos que essas músicas precisam de alcançar. Estamos trabalhando para entrar em estúdio com toda a “bagagem” pronta e esperando expressar exatamente o que queremos, e seja entregue da melhor forma possível para as pessoas que nos escutam.

Agora as músicas já estão prontas, só estamos nos certificando de que não há nada a ser melhorado antes da captação final. Entramos em estúdio no início de agosto para começar as gravações.

O que podemos esperar destes novos trabalhos, vão seguir a mesma linha?

Creio que todo o artista considera, ou espera, que os seus trabalhos novos sejam melhores que os últimos. Da mesma forma, nós estamos empolgadíssimos com este novo projeto, por crermos que tenhamos evoluído desde o nosso último trabalho. Conseguimos perceber nitidamente a diferença entre as músicas novas e as antigas, mas não saberia explicar essa diferença com exatidão. Vejo que este novo EP não mudou o género ou a vertente da banda, mas também não nos deixou no comodismo de fazer músicas baseadas nas anteriores.

No futuro, de que forma acham que vão evoluir não só na forma como fazem música mas também no estilo?

Isto é algo em que tenho pensado e percebido muito ultimamente: estes aspectos andam juntos. Algo que mudou consideravelmente do último trabalho para este é que houve muito mais influência de cada integrante na parte inicial de criação, no esqueleto da música. Durante o processo de composição do primeiro álbum, nos restringimos muito a um formato. Na maioria das vezes, o que fizemos foi pegar em músicas que eu havia escrito (voz e violão), trazê-las para o estúdio como banda, e reestruturá-las, dando-lhes um novo corpo e formato. A meio disso, as características de cada integrante e de cada instrumento apareciam naturalmente, e a música tomava um novo formato, o que nos deu o nosso género como resultado.

Para este EP, passámos a ter um nível de cooperação muito maior. Duas das três músicas que vão estar presentes não foram escritas com violão e voz, como no álbum. Uma delas – “A Sailor’s Wings” – surgiu de uma letra escrita pelo Thiago; uma outra – o nome desta ainda é segredo e vai ser o nome do EP – começou a ser escrita a partir de um riff que o Diego me mandou.

Eu, particularmente, estou imensamente feliz, tanto com o resultado que estamos alcançando, como com o processo pelo qual estamos passando. A cada dia estamos nos conhecendo mais como músicos e sabendo usar, de forma mais eficaz, as nossas ferramentas individuais para benefício coletivo. As músicas que estamos fazendo agora têm algo muito único, novo e particular, porque cada integrante está colocando justamente todo o seu potencial e toda a sua característica pessoal no processo de criação, e se envolvendo nele desde a raiz da música.

Sendo o primeiro lançamento europeu, o que esperam da parte do público?

Sabemos que o estilo que tocamos é mais popular na Europa do que na América do Sul, e isso nos gera bastante entusiasmo, por estarmos direcionando o nosso trabalho a um público que, em sua maioria, já é adepto desse tipo de música. Por outro lado, também gera muita apreensão por sabermos que vamos ser escutados e avaliados por pessoas que, de certa forma, estão mais acostumadas a ouvir grandes artistas desse mesmo meio.

A esperança é que o público consiga identificar alguma particularidade no nosso som. Creio que, por sermos brasileiros, é bem provável que teremos na nossa bagagem musical alguns aspectos diferentes do que é tocado quotidianamente. Isso gera-me bastante esperança de alcançar pessoas que procuram algo novo.

São um grupo de quatro pessoas a fazer música. Cada um com personalidade diferente certamente. Qual é o ingrediente que cada um de vocês acrescenta à música?

Impressiona-me a facilidade que o Luís tem de desenvolver linhas de baixo simples e bonitas. Elas dão muita firmeza à nossa música, são bem trabalhadas e bem elaboradas, mas conseguem permanecer subtis. Ele é um baixista muito versátil, consegue desenvolver intensidade e, ao mesmo tempo, melodia. E faz isso com muita naturalidade.

O Thiago consegue fazer a nossa música transaccionar do que imaginamos para algo totalmente inimaginável. Ele tem características musicais tão fortes e precisas que consegue pegar em qualquer música e fazer dela algo único. Hoje em dia, quando temos algo novo para fazer, eu deixo-o criar, e tento seguir o que ele faz. É mais seguro.

O Diego, além de nos superar a todos enquanto músico e com a propriedade que tem com o seu instrumento, é quem tem maior conhecimento na área de produção musical, e tudo relacionado com a qualidade sonora. Ele é, além de um grandíssimo guitarrista, com técnica, conhecimento e talento, um parâmetro de qualidade musical. Podemos confiar no que ele fala quando finalizamos uma música e precisamos de uma opinião.

Já eu, Wendhell, sou só charmoso e tenho um bigode bonito.

Foi fácil encontrarem o vosso próprio estilo?

Muito. Eu tinha medo de soar muito parecido às bandas que me influenciaram e não ter um estilo próprio. Mas, assim que as músicas começavam a ser compostas pelos outros instrumentos, elas tomavam uma forma totalmente diferente do que eu havia imaginado a princípio e, automaticamente, nós encontrámos uma vertente que nos foi favorável, sem esforço algum.

No vosso press release é dito sobre a vossa música: “Letras poéticas que envolvem questões antropológicas e teológicas”. Em que se inspiram para criar e envolver este tipo de questões?

Quando eu olho para os estilos de vida de hoje, na maioria das sociedades e civilizações, o que eu mais percebo é o declínio antropológico associado a dois fatores: a falta de amor e a presença maciça da ganância – isso me comove e me fere muito. Eu creio profundamente em um Deus que ensina exatamente o contrário: presença de amor, acima de tudo. Então, para nós, essas questões estão muito relacionadas. Não consigo escrever sobre um desses tópicos sem falar do outro, e tudo o que eu vejo ao meu redor me remete a eles.

Fotos: Bear Me Again

Sobre Marta Costa 27 artigos
Gosto da vida. Gosto do mundo. Sou uma miúda de 21 anos com ambições fortes e ideias fixas. Com 14 anos escolhi o jornalismo para mim... Nunca soube bem porquê mas senti que tinha a ver comigo. Hoje, 6 anos depois, sei que seguir os meus instintos foi a minha melhor decisão. Ando à procura de trabalho mas enquanto espero pela minha oportunidade vou fazendo aquilo que amo e espero que gostem!

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