Alan Rickman: O vilão de Hollywood mais adorado

Quando recebemos a notícia de que alguém que víamos no ecrã do cinema morre, o primeiro instinto é sempre pensar de que maneira é que essas pessoas nos marcaram ao ponto de nos lembrarmos delas no futuro.

Alan Rickman é uma dessas pessoas. Segundo a ciência, ele tinha a voz perfeita e, ao pensar nele, pensamos logo no seu tom de voz, na calma com que ele falava e na maneira com que a ajustava aos seus personagens. Nasceu no dia 21 de Fevereiro de 1946, mas foi no dia 14 de Janeiro de 2016 que, com 69 anos, a luta contra o cancro o venceu. Foram vários os filmes em que o vimos brilhar, sendo que alguns deles marcaram a infância de muitas pessoas.

Alan era uma “caixinha de surpresas”. Os seus talentos, para além da representação, passavam pelo design gráfico. Após a sua graduação na Escola de Arte e Design de Chelsea, aventurou-se e abriu um estúdio com os seus amigos, ao qual chamaram Graphiti.

Mas a sua paixão pelo teatro falou mais alto e, como tal, aos seus 26 anos, fez uma audição para a Royal Academy of Dramatic Art, acabando por ficar. Chegou a ter diversos part-times para concretizar este sonho. Foi com esta idade, então, que se lançou neste novo mundo, que tanto o puxava e no qual ele nos maravilhou.

“A voice in the head saying, ‘It’s time to do it. No excuses.” (Alan Rickman sobre a audição para a RADA)

Em 1985 foi escolhido para o papel principal de Vicomte de Valmont na peça Les Liaisons Dangereuses, da Royal Shakeaspeare Company, papel que Alan considerava o principal impulsionador da sua carreira de actor. Mais tarde, em 1988, após os produtores o verem nessa peça, foi convidado a interpretar Hans Gruber no filme Die Hard e, desde então, foi chamado a representar inúmeros papéis importantes na sua carreira, especialmente como vilão.

Mas foi em 2001 que representou pela primeira vez o papel que o iria eternizar no mundo do cinema e que iria fazer com que ele fizesse parte da vida de milhões de crianças na altura. O filme era Harry Potter e a Pedra Filosofal, e Alan representava o brilhante feiticeiro e professor de Defesa Contra a Arte das Trevas, Severus Snape.

Os filmes não se ficaram por aqui e, consequentemente, ele também não. Seguiu-se, em 2002, Harry Potter e a Câmara dos Segredos, em 2004 Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban, em 2005 Harry Potter e o Cálice de Fogo, em 2007 Harry Potter e a Ordem da Fénix e, em 2009, Harry Potter e o Príncipe Misterioso.

Nestes filmes, ele era conhecido como um dos maiores vilões da história, assim como aquele professor que todos odiavam. Foi, por isso, um dos papéis mais complicados da saga porque só se revelou a verdadeira história e essência de Severus Snape no fim da mesma. Em 2010 e 2011 representa então, pela última vez, o papel do professor em Harry Potter e as Relíquias da Morte (parte I e II, respectivamente).

Apesar de muitos se lembrarem apenas de Alan como o temível Snape, ele foi ganhando reputação a interpretar outros grandes vilões de Hollywood, como o Xerife de Nottingham em Robin Hood: Prince of Thieves ou até mesmo em 2007, quando participou no filme Sweeney Todd (realizado por Tim Burton), desta vez no papel de Juiz Turpin. Em 2010, reuniu-se outra vez com Burton para dar voz à Lagarta Azul do filme Alice in Wonderland. Mas a sua carreira também envolve registos mais softs, como por exemplo o papel de Harry num dos filmes românticos mais apreciados pelo público, Love Actually, a sua aparição no filme Perfume ou até mesmo em Truly Madly Deeply, no papel de Jamie.

Na sua carreira teve ainda oportunidade de ganhar três prémios: em 1992 ganhou um BAFTA de Melhor Ator Secundário em Robin Hood, em 1996 ganhou um Primetime Emmy Award no papel de Grigori Rasputin no filme televisivo Rasputin: Dark Servant of Destiny e, em 1997, com o mesmo filme e papel, ganhou um Golden Globe.

Alan Rickman conheceu a mulher da sua vida, Rima Horton, em 1965, com apenas 19 anos, e passou meio século com ela, apesar de só se terem casado em 2012 numa cerimónia secreta.

“We are married. Just recently. It was great, because no one was there” (Alan Rickman sobre o seu casamento)

Alan, sem dúvida, será recordado pelos seus grandes papéis mas, principalmente, pelas vidas em que deixou a sua marca e o seu brilho de uma verdadeira estrela de cinema. Só há uma frase para resumir este artigo sobre Alan: Always.

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