Pelas Ruas da Memória – Locutores de Continuidade

Desde os primórdios da televisão e até ao início dos anos 90 que, entre a exibição dos vários programas da RTP, apareciam as locutoras (dado que havia pouquíssimos homens) de continuidade. Estas anunciavam o que se poderia ver a seguir e, no final do dia, surgiam durante mais tempo a indicar toda a programação do dia seguinte. Quando era a estreia de um programa era também feita uma abordagem sintética sobre esse mesmo programa.

Quem não se lembra das simpáticas locutoras, principalmente nos anos 80, que anunciavam os programas? Sobretudo à noite, nós, miúdos, esperávamos ansiosos pelo final da emissão para ouvir o hino nacional, antes da célebre mira técnica.

No começo da televisão, a célebre locutora de continuidade acompanhava quase toda a emissão, e dessa época ficaram-nos na memória Gina Esteves, Maria Helena, Maria Fernanda, Manuela Paulino (mãe dos irmãos Feist) ou Isabel Wolmar, que a par com a continuidade eram responsáveis também pela apresentação dos programas de entretenimento. Também nesta altura se destacou na continuidade Gomes Ferreira, que viria depois a fazer os comentários do Festival Eurovisão da Canção 1964, e Fialho Gouveia.

Na década de 70, começaram a abrir concursos para as vagas de locutor de continuidade e em 1971 surge assim uma série de nomes, que depois passam para a informação ou para o entretenimento e que vão ser fulcrais na história de RTP. São exemplos disso Fernando Balsinha, Eládio Clímaco, Maria Elisa, Ana Zanatti ou Raúl Durão. Outras duas locutoras que também fizeram parte dos quadros dos primeiros anos da década de 70 foram Fernanda Andrade e Anabela Tarouca.

Em 1978 foi o ano em que se registou uma maior “fornada” de locutores de continuidade por concurso, em que foram admitidos 13 e depois preparados por Alice Cruz. Entre eles estavam Ana Maria Cordeiro, Cândida Gerardo, Fátima Medina, Fernanda Garcia, Helena Pinto, Helena Ramos, Isabel Ayres, Isabel Bahia, João Abel Fonseca, Manuela Matos, posteriormente conhecida como Manuela Moura Guedes, Margarida Andrade, que a partir de 1986 adota o nome de Margarida Mercês de Mello, e ainda Miguel Coelho e Teresa Cruz. É partir desta altura que começa a haver registos de algumas presenças televisivas na continuidade em vídeo.

Devido ao seu sucesso, Teresa Cruz foi a primeira capa da TV Guia, uma prova de que a locução de continuidade fazia estrelas também. Depois, ao longo da década de 80, foram vários os nomes que se lhes juntaram, como Ana Paula Reis, Carolina Ferreira, Cecília Penteado, Ivone Ferreira, Maria Helena Falé, Maria João Carreira, Maria João Freire e Valentina Torres. Em 1986 entram também três nomes, dos quais dois deles viriam a dar cartas na televisão nacional: Serenella Andrade e Vera Roquette, para além de Lúcia Soares. Foram consideradas as “três mosqueteiras” desse ano.

A partir de setembro de 1990, e com a entrada do novo mapa-tipo na televisão, as locutoras de continuidade deixaram de ter muita expressão, no entanto, e ainda durante os primeiros anos, fizeram os fechos das emissões. Nessa altura entraram ainda novas locutoras como Ana Cristina Valente, Cristina Esteves, Cristina Lebre e Susana Santos.

Em 1993, na estreia da TVI, a estação decidiu também implementar o modelo da locução de continuidade, mas não resultou, sendo abandonada ao fim de alguns meses.

Durante também algum tempo os canais internacionais RTP Internacional e RTP África tiveram também as suas locutoras de continuidade. Foi aí que surgiram os nomes de Maria João Gama e Isabel Angelino, que hoje tão bem conhecemos, para além de Nady Ferreira.

É impossível alguém que tenha passado a infância nos anos 80 não se lembrar de alguns destes nomes, que para muitos passaram a ser caras tão familiares. Entravam pelas nossas casas e faziam-nos sonhar com o mundo mágico da televisão.

Sobre Miguel Meira 103 artigos
Quando era pequeno, entre histórias da “Cinderela” e cantigas em “Playback”, quis ser como o Carlos Paião – médico e cantor. As doenças e os órgãos acabaram por sair da minha mente, mas a música de alguma forma ficou. Sou um apaixonado incondicional por música portuguesa, como também sou por tudo o que envolva espectáculo, teatro, cinema e televisão (tendo como maior interesse o Festival da Canção e da Eurovisão e os já extintos Jogos Sem Fronteiras). Contudo, profissionalmente, os meus palcos foram outros. Licenciei-me em Ensino de História, dou aulas desta disciplina desde 2008, já trabalhei numa biblioteca e já transcrevi até um livro de posturas do século XIV. Faço parte da equipa do site “Festivais da Canção” desde 2008, e também colaboro no site “Brinca, Brincando”, sobre a temática televisiva. Porque o passado também fala, aceitei o desafio de viajar no tempo no ARDINAS.

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